Dos três legistas que atuam na cidade, dois estão de licença e o outro vai se aposentar
Há mais de três meses o IML (Instituto Médico Legal) de Araçatuba vem apresentando irregularidades, desde a falta de médicos e equipamentos até a documentação. Os problemas já foram alvo de ação movida pelo Ministério Público contra a prefeitura e o governo do Estado de São Paulo.
Apenas três médicos legistas atuam na cidade, porém, dois estão de licença médica até setembro e o outro vai se aposentar neste ano. Desta forma, os atendimentos são realizados por outros dois profissionais, de Andradina e Penápolis, região de Araçatuba, que se revezam para cumprir a demanda de 600 exames mensais, entre necroscópicos e demais perícias.
Nesta semana, uma família de Vicentinópolis/SP, distrito de Santo Antônio do Aracanguá/SP, município que fica a 588 km da capital paulista, sentiu na pele as consequências dos problemas do IML de Araçatuba. A família teve de percorrer mais de 150 quilômetros para que um médico legista realizasse o exame necroscópico no corpo do mecânico Davi Alberto dos Santos, de 32 anos, encontrado morto no último final de semana. Como a polícia civil registrou a morte como sendo suspeita, a autópsia seria necessária para liberação do corpo para o velório.
Os familiares do mecânico percorreram 40 km com o corpo do rapaz no carro próprio, até Araçatuba. Chegando ao município, foram informados de que não havia médico legista e que o corpo deveria ser encaminhado ao IML de Andradina, que fica a 117 km de Araçatuba. Foram cerca de 12 horas de espera para conseguir a necropsia no corpo do parente.
Em nota
A Superintendência da Polícia Técnico-Científica informou que iniciou em março deste ano, um trabalho de vistorias técnicas em todas as unidades do IML no Estado, com a finalidade de avaliar a estrutura dos locais e solucionar as deficiências. Um curso de formação para capacitar 77 médicos legistas aprovados no último concurso público, também já está em andamento.
Em nota, a prefeitura de Araçatuba informou que já está fazendo as adequações e estudos exigidos pela ação movida pelo MP. Já a procuradoria-geral do Estado disse que ainda não recebeu a notificação.