Com a decisão da Justiça essa semana, o processo será reiniciado e um novo juiz será designado

Mães afetivas durante coletiva de imprensa nesta quarta; contato com filhos adotivos é mantido até hoje ( César Rodrigues/ AAN)
As famílias afetivas do caso Monte Santo mantiveram contato telefônico desde setembro com a família biológica das cinco crianças adotadas e que voltaram para Bahia. Na última terça-feira (26), decisão da Justiça baiana anulou a ordem que levou os irmãos de volta. O contato é considerado pelas famílias como importante para reconciliação e para a volta das crianças para São Paulo. Ele foi iniciado por uma das mães, a advogada Flávia Regina Cury Carneiro, de 42 anos, com intermédio do Ministério Público da Bahia. Desde então, Flávia e as outras mães têm ligado para a mãe biológica, Silvânia, que manifesta intenção de devolver os irmãos. Segundo a advogada de três das quatro famílias afetivas, Lenora Panzetti, as crianças estão abaladas psicologicamente e têm sofrido ameaças do pai das duas mais velhas, que também ameaça Silvânia. Com a decisão da Justiça essa semana, o processo volta para Monte Santo, onde será reiniciado e um novo juiz será designado para o caso. Também há a possibilidade de acordo de devolução consensual. A expectativa é que uma audiência seja marcada na Bahia entre as famílias para que ambas sejam ouvidas, e que as crianças maia velhas testemunhem. Segundo as mães, por telefone, as crianças lembram da rotina em São Paulo e querem voltar. "Meu filho pede para cantar comigo no telefone. Na primeira ligação, ele não me chamou de 'mãe'. Foi um baque. Mas agora, eu ouço "mamãe", disse Flávia. Ela tinha a guarda de um dos meninos, que hoje tem 6 anos e meio. A única mãe que não tem contato com a filha adotiva, hoje com quatro anos e meio, é a médica Letícia Silva, por causa do relacionamento difícil com a mãe biológica, Silvana. "Dei minha cara para bater e fiquei em evidência. Hoje, só quero minha filha de volta", afirmou. Veja também Processos travam caso de adoções irregulares da Bahia Sem prazo para julgamento, ações contra juízes adiam uma decisão definitiva sobre os cinco irmãos Mãe e filhos desaparecem de cidade na Bahia Segundo vizinhos, desde segunda-feira Silvânia e as 5 crianças não estão mais na casa em que viviam Justiça acata denúncia contra juiz da Bahia Ele revogou a guarda provisória das cinco crianças que viviam com famílias adotivas de Campinas e Indaiatuba