Coluna publicada na edição de 28/9/19 do Correio Popular
A semana maluca, com demissões em série de técnicos no Brasileirão, será tema para a coluna de amanhã. Hoje o assunto será a reação do Fluminense à forte discussão entre Ganso e Oswaldo de Oliveira no jogo contra o Santos. Ao ser substituído, o improdutivo meia do Flu ofendeu o treinador, que respondeu no mesmo tom. Na saída do gramado, xingado por torcedores, Oswaldo respondeu com um gesto obsceno. A reação da diretoria ao comportamento totalmente inadequado do treinador foi imediata. Na manhã de ontem, o Fluminense já anunciou a demissão de Oswaldo de Oliveira. A decisão é justificável. Oswaldo disse que torcedores ofenderam sua família, mas, com 44 anos de futebol nas costas, ele sabe que isso faz parte de sua profissão. A reação foi péssima e já seria suficiente para justificar a demissão. Além disso, os resultados da curta passagem do treinador pelas Laranjeiras foram ruins. Em sua carta de despedida, Oswaldo lembrou que deixa o time na 16ª colocação, fora do Z4. Ele só esqueceu de citar que está com o mesmo número de pontos do que Cruzeiro e CSA, 17º e 18º colocados. A situação do time, portanto, é alarmante. O Fluminense também se manifestou em relação a Ganso. “A diretoria entende que a atitude foi incompatível com o que se espera de um atleta do clube, razão pela qual está aplicando a penalidade pecuniária sobre o salário e advertência funcional”, informa nota divulgada horas após a demissão do treinador. É certo que o clube não deve punir a si mesmo com o afastamento de um atleta, mas ao demitir o treinador e pegar leve com o meia, o Flu já sinaliza para o próximo técnico que Ganso tem autoridade sobre a comissão técnica. Se ele voltar a ficar irritado com uma substituição, vai sobrar para o “comandante”. Isso pode fazer com que Ganso tenha mais minutos do que merece em campo e isso pode ser péssimo para um time que precisa reagir no Brasileirão. Ganso disputou 15 partidas, fez dois gols (um de pênalti contra a Chapecoense e outro de fora da área com enorme colaboração do goleiro Cássio) e nenhuma assistência. Seu salário é de longe o maior do elenco, mas seu rendimento é pífio e sua movimentação em campo nos remete ao futebol bem mais lento de décadas atrás. Os números sinalizam que o Fluminense tem tudo para ser mais produtivo com Ganso no banco. Mas ontem a diretoria já avisou que o novo treinador não deve nem pensar nessa hipótese. Esse notório equívoco pode levar o clube, mais uma vez, à segunda divisão.