Um depósito de R$ 280 mil de empresa da cidade apareceu na conta da filha do tesoureiro do PT
Um rastreamento da Receita Federal nas contas do tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, preso em São Paulo na quarta-feira (15) pela Polícia Federal (PF), colocou Indaiatuba na rota da Operação Lava Jato, que apura corrupção na Petrobras. Um depósito no valor de R$ 280 mil da empresa Viena Indaiatuba Inc. Imobiliária na conta de Nayara Vaccari, filha do petista, despertou suspeita dos investigadores. O Correio teve acesso ao trecho do relatório da operação, que afirma haver "suspeitas fundadas de que o depósito da Viena seja pagamento de vantagem indevida, sendo que a simulação da doação serviu apenas como estratagema para legitimar o recebimento do valor na conta-corrente, havendo necessidade de aprofundamento investigatório destes fatos". Outra empresa Até agora não existe nenhum indício de que Nayara mantinha qualquer vínculo comercial com a empresa. No início do ano passado, outra empresa de Indaiatuba, a Labogen, já havia sido citada na mesma investigação. Nesse caso, o envolvido era o doleiro Alberto Youssef, que utilizava a razão social para remessas ilegais de dinheiro para o exterior. A reportagem do Correio esteve nesta quinta-feia (16) em Indaiatuba no endereço fornecido por sete empresários sócios da Viena à Junta Comercial do Estado de São Paulo (Jucesp) como sendo o da sede da empresa. No local, em vez de uma empresa, existe um empreendimento imobiliário. Um funcionário no local disse que os sócios estavam reunidos naquele momento, mas não na sede da empresa, e que ninguém iria comentar o caso. "Não passa de um mal entendido", antecipou. O capital da Viena é de R$ 40 mil. Ligações Um dos sócios da empresa é Paulo Roberto Bonavita, dono da Viação Vale do Tiete. Sua secretária informou que ele está em viagem, e que não conseguia contata-lo. Outro sócio da Viena é Luiz Carlos de Queiroz. Seu filho, Felipe, trabalha na gerência de vendas da concessionária de veículos Ivesa. Tal empresa também aparece como uma das sócias da Viena, porém, diferentemente do ramo automobilístico, o objeto social da Ivesa na Junta Comercial consta como "incorporação de empreendimentos imobiliários" e "compra e venda de imóveis próprios" . Felipe disse que o pai estava em reunião em São Paulo com a direção da marca de veículos que ele revende, e que não poderia incomodá-lo. Duas áreas O rapaz confirmou que a sede da Ivesa funciona como transação de empreendimentos e também de veículos, no mesmo prédio. "A administração é focada na matriz. Mas fazemos negócios imobiliários também. Caso um cliente queira colocar um terreno na troca de carro, temos a razão social específica", argumentou.A reportagem esteve em dois endereços residenciais de sócios da Viena, que segundo registro na Jucesp iniciou suas atividades no dia 15 de junho de 2012. Contudo, um ano antes da formação da empresa o sócio Antonio Geraldo Lorenzette já não residia no endereço fornecido à Junta Comercial. Na propriedade localizada na Rua Padre Bento Pacheco funciona há quatro anos um centro de terapias alternativas. O local está alugado. Outros sócios Lorenzette é proprietário de uma revendedora de carros na Avenida Visconde de Indaiatuba. Procurado no local, um funcionário informou que o patrão estava em Sumaré, e não poderia fornecer o contato. No momento em que a reportagem saía do estabelecimento, um veículo Toyota Corolla ameaçou entrar na revendedora, mas o motorista, demonstrando claramente nervosismo ao avistar os repórteres, desistiu de estacionar e foi embora. Já os sócios Hueber Baia de Oliveira e Julio Cezar Generoso Ianuzzo não foram localizados em sua residência, no Jardim Morada do Sol e no Altos da Bela Vista. Consta como sócia da Viena a Hueber e Filhas Empreendimentos, completando o grupo de sócios. Ninguém se pronunciou à respeito do repasse de R$ 280 mil à filha do tesoureiro petista.