EDUCAÇÃO

Indisciplina cria dilema para escola

Possível expulsão de aluno de 11 anos de unidade da rede municipal incita discussão em Campinas

Sarah Brito
25/05/2015 às 09:01.
Atualizado em 23/04/2022 às 12:43
Escola municipal Vicente Rao, na Vila Industrial, vai analisar expulsão de aluno de 11 anos nesta semana (Camila Moreira/ AAN)

Escola municipal Vicente Rao, na Vila Industrial, vai analisar expulsão de aluno de 11 anos nesta semana (Camila Moreira/ AAN)

A direção da escola municipal Vicente Rao, no Parque Industrial, em Campinas, está diante de um dilema. O que fazer com um aluno de 11 anos, que estuda na quinta série do Ensino Fundamental, e apresenta sérios problemas de disciplina? Uma reunião está marcada para a próxima quarta-feira para, com o conselho de classe, decidir se ele será expulso ou poderá continuar a estudar no local.Segundo a direção da escola, o menino apresenta comportamento agressivo, cria conflitos na escola e não respeita os professores. Também, diz a unidade, chegou a agredir uma professora dentro da sala quando ela fez questionamentos sobre a matéria, de forma oral, durante uma aula. A disciplina não foi divulgada pela Secretaria de Educação, para proteger a identidade da docente. Segundo a direção da escola, ele deu pontapés e socos na professora, após xingá-la. Antes, o menino já tinha histórico de supostas agressões verbais a colegas e a docentes. Um dos casos relatados é que ele teria ameaçado um colega de agressão física caso não levasse balas para ele. A professora teve que ser afastada da escola por problemas psicológicos, decorrentes do caso, segundo a Secretaria de Educação.A mãe do menino, que prefere não se identificar, admite que o filho é “arteiro”, sabe dos casos de violência na escola, mas está com medo que ele seja expulso e que, com isso, haja dificuldade para encontrar outra unidade educacional para matriculá-lo. “Ele está melhorando, e sinto que ele gosta de lá. Não quero ter que mudá-lo e enfrentar isso com ele, de novo.” A criança foi transferida para a atual após ter problemas em outra unidade, na Vila Rica.Ela disse que vai comparecer à reunião porque é uma questão de “honra” que ele fique na escola, e que espera ajuda. “No começo, ele era mesmo agressivo. Mas ele mudou muito, desde o ano passado. Ele não foi agressivo com a professora. Não foi. Ela maltratava ele, dizendo para ele ficar quieto e não ‘olhar torto’ para ela”, disse a mãe. Para conter a suposta briga entre aluno e professora, a direção da escola Vicente Rao chamou a Guarda Municipal (GM). O menino foi levado para o 5<SC210,186> Distrito Policial (DP). A mãe foi chamada e foi junto ao DP. A criança foi liberada devido à idade. Somente é considerado infrator o adolescente acima de 12 anos. O Conselho Tutelar acompanha agora o caso. Segundo a mãe, o menino não xingou ou bateu na professora. Ela conta que muitas coisas que a escola alega aconteceram em outros anos. Ela disse também que a criança apanha de crianças mais velhas. O aluno estuda na escola desde 2012. Os pais dos colegas mandaram cartas à escola atual pedindo que fossem tomadas providências.De acordo com a Secretaria de Educação, a Guarda Municipal foi chamada para preservar a segurança do aluno e dos demais envolvidos no episódio de agressão à professora. Ele foi levado para a delegacia e encaminhado para o Conselho Tutelar. A reunião da direção estava marcada desde o início do ano, mas o problema com a criança será debatido a pedido dos pais das outros alunos.A Secretaria da Educação, dentro das normativas do município, geralmente não expulsa alunos da escola. De acordo com a pasta, a criança está sendo acompanhada pelas secretarias de Saúde, Educação e Assistência Social, além do Conselho Tutelar, e a alternativa, em casos extremos como este, é a transferência para outra escola pública. O Conselho Tutelar informou que acompanha o caso e que aguarda maiores esclarecimentos da unidade.

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