Possível expulsão de aluno de 11 anos de unidade da rede municipal incita discussão em Campinas

Escola municipal Vicente Rao, na Vila Industrial, vai analisar expulsão de aluno de 11 anos nesta semana (Camila Moreira/ AAN)
A direção da escola municipal Vicente Rao, no Parque Industrial, em Campinas, está diante de um dilema. O que fazer com um aluno de 11 anos, que estuda na quinta série do Ensino Fundamental, e apresenta sérios problemas de disciplina? Uma reunião está marcada para a próxima quarta-feira para, com o conselho de classe, decidir se ele será expulso ou poderá continuar a estudar no local.Segundo a direção da escola, o menino apresenta comportamento agressivo, cria conflitos na escola e não respeita os professores. Também, diz a unidade, chegou a agredir uma professora dentro da sala quando ela fez questionamentos sobre a matéria, de forma oral, durante uma aula. A disciplina não foi divulgada pela Secretaria de Educação, para proteger a identidade da docente. Segundo a direção da escola, ele deu pontapés e socos na professora, após xingá-la. Antes, o menino já tinha histórico de supostas agressões verbais a colegas e a docentes. Um dos casos relatados é que ele teria ameaçado um colega de agressão física caso não levasse balas para ele. A professora teve que ser afastada da escola por problemas psicológicos, decorrentes do caso, segundo a Secretaria de Educação.A mãe do menino, que prefere não se identificar, admite que o filho é “arteiro”, sabe dos casos de violência na escola, mas está com medo que ele seja expulso e que, com isso, haja dificuldade para encontrar outra unidade educacional para matriculá-lo. “Ele está melhorando, e sinto que ele gosta de lá. Não quero ter que mudá-lo e enfrentar isso com ele, de novo.” A criança foi transferida para a atual após ter problemas em outra unidade, na Vila Rica.Ela disse que vai comparecer à reunião porque é uma questão de “honra” que ele fique na escola, e que espera ajuda. “No começo, ele era mesmo agressivo. Mas ele mudou muito, desde o ano passado. Ele não foi agressivo com a professora. Não foi. Ela maltratava ele, dizendo para ele ficar quieto e não ‘olhar torto’ para ela”, disse a mãe. Para conter a suposta briga entre aluno e professora, a direção da escola Vicente Rao chamou a Guarda Municipal (GM). O menino foi levado para o 5<SC210,186> Distrito Policial (DP). A mãe foi chamada e foi junto ao DP. A criança foi liberada devido à idade. Somente é considerado infrator o adolescente acima de 12 anos. O Conselho Tutelar acompanha agora o caso. Segundo a mãe, o menino não xingou ou bateu na professora. Ela conta que muitas coisas que a escola alega aconteceram em outros anos. Ela disse também que a criança apanha de crianças mais velhas. O aluno estuda na escola desde 2012. Os pais dos colegas mandaram cartas à escola atual pedindo que fossem tomadas providências.De acordo com a Secretaria de Educação, a Guarda Municipal foi chamada para preservar a segurança do aluno e dos demais envolvidos no episódio de agressão à professora. Ele foi levado para a delegacia e encaminhado para o Conselho Tutelar. A reunião da direção estava marcada desde o início do ano, mas o problema com a criança será debatido a pedido dos pais das outros alunos.A Secretaria da Educação, dentro das normativas do município, geralmente não expulsa alunos da escola. De acordo com a pasta, a criança está sendo acompanhada pelas secretarias de Saúde, Educação e Assistência Social, além do Conselho Tutelar, e a alternativa, em casos extremos como este, é a transferência para outra escola pública. O Conselho Tutelar informou que acompanha o caso e que aguarda maiores esclarecimentos da unidade.