Visitantes elegeram o museu mineiro como o segundo melhor da América do Sul e o 23º do mundo
( Divulgação)
Dizer que desvendar o Instituto Inhotim é como embarcar em uma grande viagem, não é nenhum exagero. O maior museu a céu aberto da América Latina fica escondidinho dentro da pequena e pacata cidade de Brumadinho, que conta com uma população de apenas 35 mil habitantes e está localizada no Vale do Paraopeba, a 60 quilômetros de Belo Horizonte. A primeira impressão que o turista tem ao chegar a Inhotim é que se transportou para outro mundo, muito diferente de todo o trajeto que percorreu até o instituto. Pois a paisagem mineira dá lugar a um cenário completamente diferente, repleto de obras de arte espalhadas em meio a uma natureza de tirar o fôlego. Com um projeto ousado e inovador, não foi à toa que, no ano passado, o museu conquistou pela primeira vez um espaço entre os 25 melhores museus do mundo, de acordo com o ranking Travelers’ Choice Museums 2014, votado por leitores do site TripAdvisor. O Instituto ficou em 23º lugar. No ranking brasileiro e sul-americano, a instituição mineira ocupa a 2ª posição. Estima-se que, anualmente, cerca de 300 mil pessoas visitem o instituto. Turistas do mundo inteiro passam diariamente por Inhotim, por isso, durante a visita, é muito comum perceber pessoas falando diversos idiomas. Não se sabe ao certo a origem do nome Inhotim, mas segundo os moradores mais antigos da região, a palavra teria surgido como referência a um minerador inglês chamado Sir Timothy, que morava nas imediações e que na linguagem popular passou de Senhor Tim para Nhô Tim. Fundado no início da década de 1980 pelo empresário mineiro Bernardo Paz, um apaixonado pela arte contemporânea, o Inhotim abriga obras de arte produzidas por artistas como Adriana Varejão, Amilcar de Castro, Hélio Oiticica, Vik Muniz, Chris Burden, Tunga, Matthew Barney, Janet Cardiff, Doug Aitken, entre outros. Um dos pontos básicos que difere o instituto da grande maioria dos museus do mundo é que as obras estão distribuídas em pavilhões e galerias ao ar livre, em meio a um jardim botânico dentro de uma área verde de 110 hectares. Muitos detalhes do paisagismo foram elaborados pelo paisagista Roberto Burle Max. Para se ter uma ideia da preciosidade do local e sua importância mundial, o Inhotim conta atualmente com a maior coleção de palmeiras do mundo, reunindo cerca de 1,5 mil espécies, além de 4,2 mil plantas de todos os cantos do planeta. O museu também abriga aproximadamente 700 obras produzidas por artistas de diferentes partes do mundo, muitas delas construídas no sistema site-specific, no qual o artista cria no mesmo local da exposição. No trajeto entre uma galeria e outra, o visitante aproveita para descansar a cabeça, respirar ar puro admirando toda a beleza do local. Com isso, dá tempo de refletir, digerir e ficar à vontade para mergulhar nas emoções da próxima obra.Aguçando todos os sentidosTocar, sentir, escutar, cheirar, tudo isso faz parte da proposta para quem visita Inhotim. O local é, sim, uma visita sensorial. Coloque roupas e sapatos bem confortáveis e vá com o coração e a mente abertos para experimentar diferentes sensações e emoções. Não existe um roteiro pré-definido para o passeio. Na entrada, o visitante recebe um mapa e fica livre para escolher o que deseja visitar. Mas, se puder, reserve pelo menos dois dias para explorar bem o local. Em um único dia é impossível explorar tudo o que Inhotim tem a oferecer. Para percorrer as galerias e os jardins, uma facilidade é comprar junto com o ingresso o passe para ir de carrinho elétrico aos pontos mais distantes. Vale destacar que jovens da comunidade de Brumadinho estão inseridos, como monitores, em cada um dos espaços do instituto. Eles tiram dúvidas e contam detalhes de cada obra. No contato com eles é possível perceber a importância do instituto para toda a comunidade e a transformação social na vida desses jovens.Entre os trabalhos imperdíveis estão as obras da artista Janet Cardiff, destaque para Forty Part Motet. O visitante entra em uma sala, com 40 pequenas caixas acústicas que reproduzem o coro da catedral de Salisbury entoando uma composição de 1575. Conforme caminham pela sala, em círculos, os turistas vão identificando a beleza de cada voz que forma o coral. Outro trabalho da artista foi produzido em conjunto com George Bures Miller e fica dentro de um galpão exclusivo. Intitulada O Assassinato dos Corvos, conta com 98 auto-falantes, que ficam espalhados em meio aos espectadores, que podem se sentar nas cadeiras ou no chão da sala. Os sons de corvos, marchas e canções de ninar, são intercalados com a voz de Janet Cardiff, que narra uma peça onírica (em inglês, há um folheto com a transcrição e tradução para o português). As imagens se formam na mente de cada um e a sensação é de entrar no sonho de outra pessoa.Para se ter uma ideia de como arte inspira arte, recentemente o músico multi-instrumentista Marcelo Jeneci, que faz parte da nova safra da música popular brasileira declarou que a canção Pra Gente se Desprender, de seu novo CD, De Graça, surgiu após visitar Inhotim e conhecer a beleza dessa obra. Já a artista mineira Valeska Soares, que atualmente vive em Nova York, criou uma das obras mais delicadas e românticas do Inhotim. Intitulada Folly, o espaço todo espelhado oferece ao visitante um mundo mágico e cheio de fantasias. Dentro da estrutura, o visitante percebe-se parte de uma dança projetada em vídeo nas paredes espelhadas em seu interior. O que surpreende é que a grande maioria do público que entra no local se permite dançar ao som da canção The Look Of Love, de Burt Bacharach, tema do filme Casino Royale (1967). As múltiplas imagens são formadas por reflexos, fazendo com que os dançarinos se aproximem e se afastem, passando a impressão de se estar dançando com sombras.Semeando palavras, pensamentos e ideias No meio de um gramado bem verde é possível ver muitas pessoas interagindo com vasos de cerâmica em forma de letras. Ali também ficam à disposição do público, terra, sementes e instrumentos de jardinagem. Trata-se da delicada obra A Origem da Obra de Arte, criada pela artista Marilá Dardot. O trabalho é um convite para o visitante compor palavras e sentenças e distribuí-las pelo campo. Pedidos de paz mundial, declarações de amor, pedidos de namoro, casamento e perdão formam-se em meio às 1,5 mil letras-vasos que foram produzidas pela oficina de cerâmica que funciona dentro de Inhotim. A produção das peças contou com a participação de dezenas de mulheres das comunidades locais.Unindo arte e ciênciaO artista americano Doug Aitken cavou um buraco de 202 metros no alto de uma montanha e instalou oito microfones ao longo do trajeto. Com isso, criou sua obra chamada Sonic Pavilion. O som da Terra é transmitido em tempo real, por meio de um sofisticado sistema de equalização e amplificação, no interior de um pavilhão de vidro, vazio e circular.Fusca também é arteTroca-troca, de Jarbas Lopes, é uma obra composta por três fuscas coloridos, com latarias trocadas entre. Trata-se de uma das obras mais queridas de Inhotim, praticamente todos os visitantes fazem fotos no local.Pra ficar doidãoQuem visita museu está acostumado a encontrar obras intactas, protegidas por vidros ou isoladas por cordas. As instalações de Helio Oiticica e D’Almeida quebram essa regra. No espaço Cosmococa, o visitante entra descalço e pode brincar, deitar, nadar e deixar a obra influenciar seus sentidos. A obra faz uma alusão a cocaína, que está presente nas projeções das cinco galerias multisenssoriais do local. Outras obras imperdíveisSem Título, de Edgard de Souza são homens sem cabeça que a primeira vista parecem estar dando cambalhotas, mas, na verdade, sugerem a leitura de um movimento contínuo, que se revela, numa observação mais detida, como fragmentado e sem uma óbvia relação de causa e efeito entre cada uma das poses. Beam Drop de Chris Burden são vigas de ferro fincadas no chão. Para realizar a obra, o artista usou um guindaste e soltou as vigas lá de cima no cimento molhado. Hoje, o que podemos ver são as pontas para fora da terra.Outra obra interessante é Elevazione, de Giuseppe Penone. Se trata de uma castanheira feita em bronze suspensa por árvores, ou seja, conforme as árvores crescem, a de cobre fica mais alta. A obra da artista Yayoi Kusama, Narcissus Garden, é um espelho d’água com esferas de metal que refletem imagens. Galeria Adriana VarejãoA artista Adriana Varejão tem uma galeria com três andares e três obras. Entre elas o Celacanto Provoca Maremoto. Celacanto é um peixe bem grande e seu cardume normalmente movimenta bruscamente a água. No segundo andar, Varejão usou cerâmica e fez azulejos portugueses com imagens semelhantes a maremotos. Os azulejos têm efeito de estarem rachados, pois quando vinham de Portugal para o Brasil, muitos quebravam.Paraíso das vandasOs apaixonados por orquídeas, principalmente pela vanda, originárias do Sudeste Asiático e da Austrália, vão se encantar com o vandário, que reúne mais de 500 plantas. Estrelas da categoria, as vandas são conhecidas por suas flores grandes, coloração exuberante e alto valor (uma planta pode custar até R$ 3 mil). O vandário faz parte do projeto Flora Orchidaceae, que pretende transformar o parque em referência na preservação de orquídeas.Para comerO Inhotim possui dois restaurantes. Um deles, o Tamboril, é bem agradável e possui opções de pratos à la carte e bufê a quilo, enquanto o Restaurante Oiticica oferece apenas bufê a quilo. O preço das refeições é algo em torno de R$ 49,90/kg. Os dois restaurantes possuem Wi-Fi grátis. O museu também conta com um bar, um café, uma pizzaria, uma venda de cachorro-quente e três lanchonetes.Durante as caminhadas, vários bebedouros podem ser encontrados para o visitante não se desidratar. Como chegarO visitante pode ir de carro até Belo Horizonte e seguir pela BR-381, em direção a Betim. Após passar pela barreira da Polícia Rodoviária Federal, entra-se à direita na marginal que leva a cidade de Brumadinho. Outra opção é ir de avião até Belo Horizonte, e caso não possua um carro, o visitante poderá ir de ônibus. A empresa Saritur faz o traslado saindo da rodoviária de Belo Horizonte, no Centro da cidade, de terça à sexta, às 9h15 e retornando às 17h. Instituto Inhotim Dias e horário de funcionamento: De terça a sexta-feira, das 9h30 às 16h30 e, de sábado, domingo e feriado, das 9h30 às 17h30.Preço: Terça e quinta-feira: R$ 25;Quarta-feira (exceto feriado): entrada gratuita; Sexta, sábado, domingo e feriado: R$ 40Fechado todas as às segundas-feiras.Preço do carrinho elétrico para circular no parque R$ 20 Onde se hospedar: Estalagem do MiranteAv. Nair Martins Drumond,1.000, Retiro do ChaléBrumadinho - MGFone: (31) 3575-5061Estrada Real Palace HotelRod. Municipal Augusto Diniz Murta, Km 0Brumadinho - MGFone: (31) 3135-1031