EDITORIAL

Lockdown é a única saída para a crise

Correio Popular
13/03/2021 às 15:39.
Atualizado em 21/03/2022 às 23:59

A Frente Nacional de Prefeitos divulgou ontem (12) uma nota em que pede aos municípios brasileiros que aumentem as medidas restritivas, inclusive que considerem a possibilidade de decretar lockdown, para restringir a circulação de pessoas na tentativa de reduzir o número de infectados e mortos por covid-19. A carta, endossada por 412 gestores, destaca que a gravidade do momento “exige posições firmes para proteger a vida".

A mesma opinião foi emitida pelo Conselho Municipal de Saúde, que afirmou ser o lockdown a “única saída para a crise.” O Correio Popular concorda com ambos. No contexto atual, em que a média diária de mortes no País está acima de mil há mais de 40 dias, não resta muitas opções.

Tais posições não são desprovidas de amparo científico. Especialistas no assunto são unânimes ao dizer que o ideal seria que as cidades aplicassem lockdown por duas ou três semanas para que os hospitais, que estão em colapso, possam recuperar a sua capacidade de atendimento.

Mas nenhum lockdown será plenamente eficaz sem uma coordenação nacional. E é justamente a falta dela que tornou a situação desesperadora. Sem diretriz federal, governos locais tomaram decisões por conta própria, contando com a sorte e evitando medidas impopulares. O resultado foi exatamente o que os cientistas anteviram: a capacidade dos leitos de UTI chegou ao limite e o número de óbitos explodiu.

É preciso responsabilizar, sobretudo, o Presidente da República, Jair Bolsonaro. Ele é o maior culpado pelo descontrole da situação. Além de sua inoperância no combate à pandemia, optou desde o início por negar a gravidade do problema, desaconselhou o uso de máscaras, fez propaganda de medicamentos ineficazes no tratamento da covid-19 e pouco ou nada tem feito para garantir vacinas suficientes à toda a população.

A recessão econômica, aprofundada pela retração do comércio e de outros serviços durante a pandemia, era inevitável, mas não teria chegado ao estágio crítico de hoje se Bolsonaro tivesse coordenado desde o início o fechamento total dos estados de modo unitário. Ao contrário, preferiu chamar o vírus de “gripezinha” em rede nacional.

Haverá tempo para consertar os erros do governo federal? Só depende de governadores e prefeitos chegarem a um grande acordo nacional e decretarem o lockdown conjuntamente, pelo período necessário. A economia se recupera; vidas não.

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