Casa tem tem fonte e piscina que acumulam água de chuva e servem de criadouro para o Aedes aegypti

Mansão do 'Sheik' está abandonada e água acumulada pode servir para proliferação do Aedes aegypti ( César Rodrigues/ AAN)
Casas abandonadas causam temor e preocupação aos moradores de Campinas, que em meio a epidemia de dengue, com mais de 14 mil casos, segundo o último balanço, podem esconder possíveis criadouros do mosquito transmissor da dengue, o Aedes aegypti. Isso porque, as casas fechadas ficam sem manutenção e não é possível detectar se há entulho ou lixo. As piscinas também são motivo de medo, uma vez que reservam água limpa e parada, criadouro ideal para o pernilongo.Nesta quinta-feira (9), o Correio visitou quatro imóveis fechados e um terreno. Em comum, a existência de insetos no entorno das casas e vizinhos com dengue. Uma delas é uma antiga mansão de uma pessoa que conhecida como 'Sheik', em Campinas no começo dos anos 2000. Os vizinhos relatam que a casa, que fica na Avenida Martin Afonso, Taquaral, está fechada. Pontos de riscoA residência possui uma fonte na entrada e uma piscina no quintal. Ambos os pontos estão abandonados, expostos ao tempo, acumulam água da chuva e podem servir de criadouros para o mosquito. Os vizinhos pediram para não serem identificados, por medo de represálias. Eles disseram que a casa foi arrematada em um leilão recente, mas ninguém identificou ainda o proprietário.A Prefeitura informou que a Vigilância em Saúde Leste informou que colocará o imóvel no cronograma para abertura da residência. Antes, eles tentarão contato com o proprietário para responsabilização.O segundo imóvel visitado fica no Parque Industrial, na Rua Descalvado. A casa está em obras, e existem diversos baldes e latas de tinta usadas que estão sem tampa. Na rua, ao menos quatro vizinhos afirmaram ter contraído a dengue. Eles disseram que conversaram com a proprietária da residência, que prometeu resolver a situação. A Prefeitura de Campinas informou que a Vigilância em Saúde Sudoeste irá verificar o local.CambuíNa rua Barreto Leme, no Cambuí, outro imóvel que parece estar abandonado causa preocupação aos vizinhos. O problema é que não é possível identificar a parte interior da residência, e a fachada está tomada por entulho e objetos que podem acumular água. O local é conhecido dos comerciantes do entorno. A Administração informou que o caso está sendo acompanhado desde o início do ano por se tratar de um imóvel com uma pessoa que tem características de acumuladora, considerada como doença mental. As ações são periódicas, feitas quinzenalmente, para retirar criadouros. O quarto ponto fica no Jardim do Lago: um imóvel com terreno está abandonado, com sujeira e entulho. Os vizinhos acreditam que o local é um possível foco do Aedes aegypti. Ele fica na Rua Manoel Alexandre Marcondes Machado. Além do temor com a doença, os moradores também ficam preocupados com a falta de segurança da residência. Moradores de rua e usuários de droga já chegaram a invadir o imóvel.A Prefeitura informou que o pedido foi encaminhado para a Coordenadoria de Fiscalização de Terrenos (Cofit), órgão da Secretaria de Serviços Públicos, para fazer uma fiscalização no local. Caso seja detectado foco do mosquito da dengue, o órgão acionará a Vigilância em Saúde para fazer a eliminação. A Cofit também vai notificar o proprietário do terreno para que ele limpe a área.