Mais um teatral lance político foi estabelecido no sábado, último dia de filiações partidárias para quem pretende disputar as eleições de 2014. Depois de jogar todas as suas fichas na formação de um novo partido, a ex-ministra Marina Silva também afirmou, com todas as letras, que no Brasil interessa vencer eleições. Essa história de formação política, educação de eleitores é mesmo balela, conversa de boteco depois de um pouco de teor etílico. Depois de lutar por certa independência política, ela correu a se filiar a um partido que esteve no governo até um mês atrás. Agora, oportunista, ensaia passos de oposição. Não é novidade. Os partidos estão aí pra isso mesmo. Para serem usados de acordo com as oportunidades. Poucos se preocupam como uma linha política e ideológica. Mas ao mesmo tempo que ostentam o socialismo na sigla aceitam entre seus quadros liberais bem voltados à direita, como se normal fosse. Talvez seja mesmo normal. Na ótica deles. Outros fazem discurso de vanguarda e aceitam o apoio de velhas e temerosas raposas políticas, como Sarneys, Malufs, Renans etc. E aos poucos, mas com consistência, vão maculando a história política. Tudo em nome do poder, da vitória. O pior de tudo isso é que Marina Silva, aparentemente, estava disposta a quebrar tais paradigmas. Não estava. O cidadão que nela apostou agora se vê frustrado. E os fatos mais uma vez escancaram a necessidade de uma reforma política. De restrição a partidos de aluguel e espaço aos que carregam um pouco de dever cívico em seus estatutos, discursos e ações. Ou então o eleitor será obrigado a conviver com remendos da pior qualidade. Sempre com o objetivo do voto mais próximo, da facilidade, da preferência nas pesquisas. Enquanto o cidadão comum continua preterido. Com “voz” aceita apenas a cada dois anos. Nas urnas.SUPER EXPOSIÇÃOJá de olho na campanha eleitoral de 2014, o deputado federal e presidente estadual do PSDB reclamou das muitas aparições da presidente Dilma Rousseff (PT) na mídia, notadamente no Jornal Nacional, da Rede Globo. “Aparece todo dia no Jornal Nacional. Acho que está aparecendo mais que a Casas Bahia”, disse o tucano. É preciso ver quem paga mais. Se as Casas Bahia ou governo federal.MARINA COBIÇADAO deputado também afirmou, no sábado pela manhã, que o governador Geraldo Alckmin (PSDB) havia telefonado para Marina Silva e hipotecado solidariedade e apoio, em função do não registro, a tempo de disputar as eleições, do partido dela, Rede Sustentabilidade. Na verdade o governador demonstrou apoio, mas queria mesmo é que o apoio viesse. Não adiantou. Ante o prazo de filiações se encerrar, Marina Silva assinou ficha no PSB, do governador pernambucano Eduardo Campos.MADEIRAHá cerca de dois anos, a ex-vereadora Silvana Resende (PSDB), que não disputou a reeleição, apresentou um projeto para que a Administração Municipal exigisse, em suas licitações, que as empresas contratadas utilizassem madeira certificada em suas obras. O projeto foi aprovado, mas acabou como tantos julgados inconstitucionais, por vício de iniciativa. Exclusividade do Executivo em legislar sobre tal matéria. E a ideia foi enterrada.VIZINHO ADOTAEm Sertãozinho, o prefeito Zezinho Gimenez (PSDB) tomou a iniciativa e enviou projeto similar à Câmara, que foi votado em sessão extraordinária. São apenas cerca de 20 quilômetros de distância e um modo diferente de pensar. A Prefeitura de Ribeirão Preto pode, se quiser (e quando quiser), propor projeto semelhante, em nome da preservação ambiental. Mas aparentemente tem coisas mais importantes a fazer do que cuidar de assuntos de menor interesse.