PLANETA

Muitos perigos pairam sobre o Ártico

Região é especialmente sensível às mudanças climáticas - mas este é apenas um dos riscos

France Presse
27/04/2015 às 09:46.
Atualizado em 23/04/2022 às 15:25
Menos gelo significa risco ao ecossistema local, e também novos caminhos para exploração de recursos naturais - o que também é muito perigoso ( Divulgação)

Menos gelo significa risco ao ecossistema local, e também novos caminhos para exploração de recursos naturais - o que também é muito perigoso ( Divulgação)

Ministérios das nações árticas fizeram uma reunião no norte do Canadá para chamar a atenção para esta região ecologicamente frágil do planeta que, devido às mudanças climáticas, também está se tornando uma nova fonte de tensão com a Rússia.O Ártico está se aquecendo duas vezes mais rápido que outras regiões do planeta e, como é sabido, o delicado ecossistema de ambos os polos serve como um termômetro da saúde do planeta.Autoridades dos Estados Unidos disseram no mês passado que o gelo do Oceano Ártico diminuiu durante o inverno passado para o nível mais baixo já registrado. Estas observações por satélite começaram a ser feitas no final de 1970.Mas há uma consequência lateral para este evento ambiental: à medida em que o gelo polar derrete - uma fonte de grande preocupação, já que vai resultar no aumento dos níveis de mar - novas rotas oceânicas que podem ser usadas para o comércio vão se abrindo.E essa abertura oferece a promessa de campos de petróleo e gás sem explorar em alto mar, algo muito tentador para um mundo sedento de energia.  No entanto, com as novas oportunidades surgem também novas rivalidades - um desafio que os Estados Unidos terão que driblar nos próximos dois anos, quando assume a presidência rotativa do Conselho do Ártico.O secretário de Estado norte-americano, John Kerry, esteve na reunião, juntamente com ministros do Canadá, Dinamarca, Finlândia, Islândia, Noruega, Rússia e Suécia. “Os perigos são enormes em termos de aumento do nível do mar e do que poderia acontecer se a Groenlândia derreter”, disse Kerry. Embora a luta contra as alterações climáticas seja prioridade na agenda dos Estados Unidos durante sua presidência do Conselho do Ártico, Washington também espera melhorar a gestão dos oceanos, a segurança marítima e as vidas dos quatro milhões de habitantes da região.E há também tensões subjacentes - algumas delas muito complexas. É o caso da Rússia, que está sob o peso das sanções por seu papel no conflito na Ucrânia e que começou a organizar exercícios militares sem precedentes no Ártico.O ministro das Relações Exteriores russo, Sergei Lavrov, não participou da reunião - no lugar dele, foi enviado o ministro do Meio Ambiente da Rússia, Sergei Donskoi. Na semana passada, a Noruega estava furiosa porque o vice-primeiro-ministro russo visitou o arquipélago ártico de Svalbard, apesar de estar proibido de entrar no território norueguês devido às sanções da União Europeia. E no início deste mês, navios russos atracaram numa antiga base naval secreta da Noruega no Ártico.“A razão pela qual isso essas discussões são tão importantes é porque o Ártico está desmoronando e isso implica em consequências muito graves”, afirmou Rafe Pomerance, chefe da Arctic 21, uma coalizão de ONGs sobre política e clima. “E não se sabe realmente quão rápido será esse resultado e quão profundos serão seus impactos no sistema climático global”. Além do degelo, que aumenta o nível do mar, outro perigo é o descongelamento do chamado permafrost - a camada de solo congelado nas regiões polares. Quando o permafrost derrete, libera dióxido de carbono, o principal gás de efeito estufa e responsável pelo aquecimento global.“Isto vai se tornar uma importante fonte de emissões de dióxido de carbono no século XXI e além, o que vai complicar os esforços para estabilizar as concentrações e manter a temperatura abaixo de qualquer que seja o objetivo que o mundo proponha” ressaltou Pomerance.Líderes de todo o mundo estão se preparando para uma grande reunião do clima em dezembro, em Paris, a COP21, onde um acordo sobre limitar o aquecimento global a 2°C acima dos níveis pré-industriais é aguardado. Sobre esta cúpula, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, se mostrou otimista: “Temos a oportunidade de estabelecer, pela primeira vez, uma estrutura para nos reunirmos em intervalos regulares e definirmos nossas metas, aumentarmos nossas ambições. Tenho a esperança de que chegaremos lá”, afirmou Obama.

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