novo coronavírus

Bolsonaro testa positivo para Covid-19

O presidente cancelou as agendas previstas para a Bahia e Minas Gerais nesta semana

Estadão Conteúdo
07/07/2020 às 12:34.
Atualizado em 28/03/2022 às 20:57
   (AFP)

(AFP)

O presidente Jair Bolsonaro afirmou nesta terça-feira, 7, que contraiu o novo coronavírus. O resultado foi confirmado após o chefe do Planalto ter apresentado febre no dia anterior e feito um exame para detectar a covid-19. "Estou perfeitamente bem. Vou despachar por videoconferência e assinar papéis aqui (Palácio da Alvorada)", afirmou. Na noite de segunda-feira, 6, a Presidência da República divulgou uma nota informando que Bolsonaro estava em "bom estado de saúde". Com 65 anos, o mandatário faz parte do grupo de risco da doença. De acordo com autoridades médicas, idosos são mais vulneráveis aos efeitos da covid-19. Até segunda-feira, o Brasil registrou 1.626.071 casos e 65.556 mortes pelo novo coronavírus, de acordo com dados do consórcio composto pelo Estadão, G1, O Globo, Extra, Folha e UOL. Na noite de segunda Bolsonaro fez um exame dos pulmões no Hospital das Forças Armadas e também se submeteu ao teste para covid-19. "Tá tudo limpo", afirmou a apoiadores. Mesmo com a suspeita de estar com a doença, ele se aproximou das pessoas e tirou fotos com quem estava em frente ao Palácio da Alvorada. O presidente usava máscara e disse que não podia ter contato muito próximo. Assessores do presidente também fizeram exames, porém, se submeteram a testes rápidos, imprecisos para detectar a covid-19 Foi o caso dos ministros Braga Netto (Casa Civil), Jorge Oliveira (Secretaria-Geral da Presidência) e Luiz Eduardo Ramos (Secretaria de Governo). O teste rápido detecta a presença de anticorpos para o vírus no sangue que só são identificáveis a partir do sétimo dia do surgimento dos sintomas da infecção. Segundo a agenda oficial, o presidente esteve com seis ministros e um secretário especial na segunda-feira. Alguns assessores, como os ministros Jorge Oliveira (Secretaria-Geral) e Luiz Eduardo Ramos (Secretaria de Governo), também realizaram o exame e despacharam no Palácio do Planalto nesta terça-feira. Bolsonaro tinha uma audiência agendada com Ramos no Palácio do Planalto, às 15h. As reuniões na segunda-feira foram com Paulo Guedes (Economia), Braga Netto (Casa Civil), Augusto Heleno (Gabinete de Segurança Institucional), Luiz Eduardo Ramos (Secretaria de Governo), Jorge Oliveira (Secretaria-Geral) e Levi Mello (Advocacia-Geral da União). A última agenda ocorreu às 16h40 com o secretário especial de Cultura, Mário Frias. O líder do governo na Câmara, Major Vitor Hugo (PSL- GO), também se reuniu com Bolsonaro, mas em um encontro reservado fora da agenda. O parlamentar aguardava os resultados do exame do presidente para se submeter a um teste. Major Vitor Hugo e Bolsonaro almoçaram juntos no Palácio do Planalto em um encontro fora da agenda. O parlamentar entrou na lista de cotados para o Ministério da Educação. Embaixador No sábado, dia 4, Bolsonaro foi à residência do embaixador dos Estados Unidos no Brasil, Todd Chapman, com ministros e o deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), filho do presidente da República. Ele não usou máscara e se confraternizou com abraços, de acordo com imagens divulgadas pela Presidência da República. Na sexta-feira, 3, houve um almoço no Palácio da Alvorada com ministros e empresários - também com apertos de mão, abraços e sem máscara. Em março, o presidente havia feito três testes para a doença, após viagem oficial aos Estados Unidos, onde se encontrou com o presidente Donald Trump. Pelo menos 23 pessoas da comitiva brasileira foram diagnosticadas com a covid-19. Na ocasião, Bolsonaro anunciou que o resultado foi negativo, mas se recusou a mostrar os exames. Os documentos foram divulgados depois de o Estadão entrar com uma ação no Supremo Tribunal Federal (STF), para obrigar que a informação fosse divulgada em nome do interesse público. Imprensa internacional repercute teste positivo de Bolsonaro Diversos veículos da imprensa internacional repercutiram nesta terça-feira, 7, a afirmação dada pelo presidente Jair Bolsonaro de que o mandatário contraiu o novo coronavírus. Os jornais enfatizaram que, desde o início da pandemia no Brasil, a postura do presidente foi de minimizar a doença. O New York Times noticiou o fato na principal página de seu site, ressaltando que o presidente passou meses negando a gravidade da pandemia. O jornal relembrou que o presidente do Brasil descumpriu reiteradamente as recomendações de saúde, como evitar aglomerações e fazer uso de máscara. O Washington Post também destacou o fato em sua principal página digital e reforçou que até agora o presidente se colocou como cético da doença, destoando da postura de outras lideranças mundiais. O Post relembrou que o presidente chamou a doença de "gripezinha" e chegou a anunciar que faria um grande churrasco, o que provocaria aglomeração em meio à escalada de mortes no País. A Bloomberg, que também noticiou o fato, mencionando ainda que o presidente se reuniu com apoiadores sem fazer uso de máscara. A notícia também repercutiu no El País, da Espanha. A imagem de Bolsonaro ocupou também a principal página digital do jornal francês Le Monde, que destacou que o presidente brasileiro teve agenda com diversos ministros de Estado na última semana.

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