acesso à vacina

Brasil quer integrar projeto mundial

País solicitou ingresso em sistema que reúne 165 países visando acesso rápido às vacinas anti-Covid

Estadão Conteudo
Estadão Conteúdo
16/07/2020 às 10:04.
Atualizado em 28/03/2022 às 21:45
O Brasil já está testando vacinas pesquisadas na Inglaterra e na China e quer integrar também ação mundial (Douglas Magno/AFP)

O Brasil já está testando vacinas pesquisadas na Inglaterra e na China e quer integrar também ação mundial (Douglas Magno/AFP)

A Organização Mundial da Saúde informou ontem que 165 países, estão envolvidos no projeto Covax Facility, uma ação global que pretende garantir acesso rápido, justo e igualitário às vacinas da Covid-19, que ainda estão sendo desenvolvidas. O governo brasileiro submeteu um pedido oficial para fazer parte do sistema. O projeto visa o compartilhamento de informações sobre a doença e o investimento na criação antecipada de uma rede, que facilite no futuro a distribuição em escala das vacinas. A meta é distribuir dois bilhões de doses pelo mundo até o final de 2021. Há duas semanas o Itamaraty enviou uma carta às organizações internacionais que vão liderar o processo. O documento foi submetido, depois de semanas de hesitação do governo brasileiro que, num primeiro momento, ficou de fora da iniciativa. Agora, as entidades apontam que Brasil e outros países de renda média poderão de fato fazer parte do sistema.  A iniciativa é uma parceria da entidade com a Aliança Global para Vacinas e Imunização (Gavi) e a Coalização para Inovações em Preparação para Epidemias (Cepi). A Gavi é uma fundação criada por Bill Gates para combater epidemias e facilitar a distribuição de vacinas em países de baixa renda. A Cepi, criada em 2017, é instituição filantrópica para desenvolver vacinas e evitar epidemias. "A Covax é a única solução verdadeiramente global para a pandemia da Covid-19", disse Seth Berkley, CEO da Gavi. "Mesmo para os países que podem pagar suas próprias doses, fazer parte dessa iniciativa significa garantir uma distribuição igualitária, sem precisar existir uma fila como vimos na pandemia de H1N1. Esse mecanismo representa também um meio de reduzir os riscos associados a candidatos individuais que eventualmente possam criar vacinas sem eficácia." Um grupo de 75 países já se mostrou disposto a financiar suas próprias vacinas e cerca de 90 nações de baixa renda querem também colaborar e assim receber doações para poder distribuir as doses - o Brasil faz parte do primeiro grupo, que teria capacidade para arcar com os custos da compra e distribuição. Há representantes de todos os continentes e mais da metade das economias mundiais do G20. Proteger pessoas "Esse nível inicial de interesse representa um tremendo voto de confiança na Covax e nosso objetivo comum de proteger as pessoas em todo o mundo", disse o inglês. Richard Hatchett, CEO da Cepi. "A Covax acelerará a disponibilidade de vacinas seguras e eficazes por meio de investimentos iniciais na fabricação e maximizará as chances de sucesso, apoiando um amplo e diversificado portfólio de candidatos a encontrar a vacina. Com a Covax, nossa intenção é vacinar os 20% mais vulneráveis da população de todos os países que participam, independentemente do nível de renda, até o final de 2021. Garantir acesso justo não é apenas uma questão de equidade; é a maneira mais rápida de acabar com esta pandemia ” O objetivo da Covax é fornecer dois bilhões de doses de vacinas seguras e eficazes até o final de 2021 - é importante deixar claro que as doses só serão distribuídas assim que houver aprovação regulatória e for pré-qualificado na OMS. As vacinas serão entregues igualmente a todos os países participantes, proporcionalmente às suas populações, priorizando inicialmente os profissionais de saúde e expandindo-os para cobrir 20% da população dos países participantes. Serão disponibilizadas doses adicionais com base na necessidade de cada país, de acordo também com sua vulnerabilidade. Haverá ainda doses para uso humanitário e de emergência, a fim de lidar com surtos graves antes que eles saiam do controle. "A pandemia do Covid-19, como toda crise de saúde, também nos oferece oportunidades", disse Soumya Swaminathan, cientista chefe da OMS. "Uma vacina acessível e acessível a todos nos ajudará a lidar com as desigualdades de saúde sistêmica. Precisamos que todos os países apoiem a Covax para alcançar esse objetivo e pôr fim à fase aguda da pandemia." O sucesso da iniciativa, no entanto, depende do financiamento dos governos e do compromisso dos fabricantes de vacinas que aceitem participar em uma escala grande o suficiente para fornecer uma solução global. A Covax iniciará agora um processo de consulta com 165 países, para tentar antecipar o pagamento com o compromisso de comprar doses até o final de agosto. Para garantir os investimentos necessários, a Gavi criou um compromisso antecipado de mercado (AMC) para vacinas em desenvolvimento que forem efetivas contra a Covid-19. O primeiro AMC firmado foi um acordo de US$ 750 milhões entre a Gavi e a farmacêutica britânica AstraZeneca para fabricar 300 milhões de doses da vacina que está sendo desenvolvida em parceria com a Universidade de Oxford. Russia diz que conclui testes ainda este mês A Rússia anunciou ontem que fez os primeiros testes clínicos em seres humanos de uma vacina contra o novo coronavírus, que serão concluídos no fim de julho. Os testes, organizados pelo ministério da Defesa da Rússia e um centro de pesquisas , começaram em meados de junho em um hospital militar de Moscou, com um grupo de voluntários composto, principalmente, por militares russos, mas também por alguns civis. O primeiro grupo, de 18 voluntários, "concluiu sua participação e saiu do hospital", afirmou o ministério da Defesa. A tarefa principal para o grupo era comprovar a segurança da vacina e a tolerância do organismo humano a seus componentes, segundo o ministério. Os voluntários permaneceram hospitalizados durante 28 dias depois da vacinação, que aconteceu em 18 de junho, e foram objetos de exames diários. Durante o período, as funções vitais dos corpos dos voluntários permaneceram "dentro dos limites da normalidade, sem que nenhum efeito adverso grave ou complicação fosse registrado", afirma o comunicado. (AFP)

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