Largo do Rosário

Campinas reforça atos na véspera de julgamento

De baixo de chuva, cerca de 500 pessoas compareceram ao Largo do Rosário no início da noite

Alison Ramalho Negrinho
04/04/2018 às 07:42.
Atualizado em 23/04/2022 às 09:33
Mulher presta homenagem ao juiz federal Sérgio Moro, em manifestação contra Lula no Largo do Rosário (Leandro Ferreira/AAN)

Mulher presta homenagem ao juiz federal Sérgio Moro, em manifestação contra Lula no Largo do Rosário (Leandro Ferreira/AAN)

Nem mesmo o mau tempo foi capaz de afastar os manifestantes do Movimento Brasil Livre (MBL) e do Vem Pra Rua (VPR) na terça-feira, que exigiam a prisão de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). De baixo de chuva, cerca de 500 pessoas compareceram ao Largo do Rosário no início da noite, e proferiram palavras de ordem contra o ex-presidente, condenado a 12 anos de prisão pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4), e que terá seu habeas corpus julgado nesta quarta-feira pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Segundo a organização do evento, a expectativa de público até o fim da noite era de cinco mil pessoas. Viaturas da Guarda Municipal (GM) e Polícia Militar (PM) estiveram no local para garantir a ordem. Embalados por um carro de som, os manifestantes foram chegando aos poucos. O tempo instável até ameaçou a força do protesto, entretanto, a altura dos gritos, bem como as placas com os dizeres "coragem" e "lei para todos" fizeram com que o movimento ganhasse corpo rapidamente. Por lá, desde jovens até idosos buscaram proteção em capas e guarda-chuvas, mas não perderam a motivação para protestar com entre outras coisas, bandeiras do Brasil. A aglomeração chamou atenção de quem precisava passar pela região para ir embora do trabalho, como a jovem Letícia Armandi, de 25 anos. Ainda que sem revelar se era contra ou a favor da prisão, ela pediu por um Brasil melhor. "É uma coisa que atrai a curiosidade de quem está passando por aqui né? Não vim participar nem nada, mas preciso atravessar para ir até o ponto de ônibus. Que seja feito o que for melhor para o País", disse. Aos 72 anos, o aposentado Geraldo Antônio Viana saiu de sua casa no bairro Vila Nova e se mostrou um dos mais empolgados no movimento. "Não importa se estarei vivo na próxima semana ou na próxima eleição, o que importa é o dia de hoje, em que a impunidade não pode passar batida assim. Não é porque ele é um ex-presidente que tem que aliviar. A justiça precisa ser igual para todos. Se ele roubou, tem de ser punido". O comerciante André Camargo, de 39 anos, por sua vez, questionou a trajetória de Lula. "Como pode ele ter saído tão pobre do Pernambuco e hoje em dia estar bilionário em pouco tempo? Está mais do que claro que essa riqueza não foi adquirida de maneira licita", indagou. Aos berros no carro de som, um dos organizadores disparou um recado para os apoiadores do político. "Petistas, nós também queremos um País melhor para vocês. Ele (Lula) deveria ser o maior exemplo positivo para nós, mas infelizmente não é". No início da passeata houve um princípio de confusão por conta de um grupo que manifestou apoio ao pré-candidato à presidência da República e deputado federal, Jair Bolsonaro. Diante de diversos gritos de "oportunistas", os apoiadores do parlamentar deixaram o ato. Também foi possível precisar pessoas favoráveis a Lula que passaram de carro e provocaram os protestantes com palavras como "coxinha". Depois de começar no Largo do Rosário às 18h, os manifestantes saíram em passeata uma hora depois. A movimentação forçou a Empresa Municipal de Desenvolvimento de Campinas (Emdec) e a PM a realizarem o fechamento de ruas do Centro da cidade. Segundo o cronograma da organização, o ato passaria pela Avenida Francisco Glicério, ruas Conceição e Irmã Serafina para depois voltar ao Largo do Rosário. Ato pró-Lula A poucos metros de onde se encontravam os manifestantes contrários a Lula, estavam aqueles que estão ao lado do ex-presidente. Reunidos em frente ao Palácio da Justiça, um grupo de cerca de 50 integrantes, em sua maioria de vermelho, com cartazes e faixas, também pedia por justiça, mas sim a favor do líder político. Coordenador da subsede de Campinas da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Carlos Fábio explicou que por se tratar de um ato de vigilia e não um ato de massa, eram esperadas entre 100 e 150 pessoas, e que o tempo instável não atrapalhou, já que os manifestantes estão acostumados com as variações climáticas. Ainda segundo ele, não é a primeira vez que se juntam em frente ao Palácio da Justiça. "É a sexta oportunidade em que estamos aqui. É um ato em defesa da democracia e contra a prisão de Lula, porque nós não concordamos com esse procedimento do Poder Judiciário. Os mais afetados são da classe pobre, os trabalhadores", disse. Manifestações pelo País As manifestações contra e a favor de Lula não foram exclusividade de Campinas. O Movimento Brasil Livre (MBL) e o Vem Pra Rua (VPR) convocaram protestos em todo o País para exigir a condenação do ex-presidente por corrupção e lavagem de dinheiro. Os protestos foram organizados em mais de 100 cidades no Brasil, e em ao menos quatro cidades fora do País: em Boston (EUA), Santiago (Chile), e nas entradas dos consulados brasileiros em Londres e Roma. Os atos aconteceram no Distrito Federal e em 23 estados: Acre, Alagoas, Amapá, Amazonas, Bahia, Ceará, Espírito Santo, Goiás, Maranhão, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Pará, Paraíba, Paraná, Pernambuco, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, São Paulo, Sergipe e Tocantins. Com uma imensa maioria de manifestações contra Lula, foi registrada a presença de uma verdadeira multidão.

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