Bolsonaro e Haddad

Dois programas opostos para o Brasil

O candidato da extrema direita Jair Bolsonaro (PSL) e seu adversário da esquerda, Fernando Haddad (PT), têm propostas diametralmente opostas para o país

France Press
26/10/2018 às 13:06.
Atualizado em 06/04/2022 às 00:45

O candidato da extrema direita Jair Bolsonaro (PSL) e seu adversário da esquerda, Fernando Haddad (PT), que vão disputar o segundo turno para a Presidência da República neste domingo, 28 de outubro, têm propostas diametralmente opostas para o país. Candidatos, partidos, lemas JAIR BOLSONARO, 63 anos – ex-deputado federal, capitão do Exército na reserva - Lema: "Brasil acima de tudo, Deus acima de todos" FERNANDO HADDAD, 55 anos - Ex-ministro da Educação (2005-2013) - Ex-prefeito de São Paulo (2013-2016) - Partido dos Trabalhadores (PT) - Lema: "O povo feliz de novo". Economia: austeridade e privatizações BOLSONARO Redução da dívida pública em 20% mediante privatizações, concessões e venda de propriedades da União. Criação de um sistema paralelo de aposentadoria por capitalização. Criação de um super-ministério da Economia, reunindo os atuais da Fazenda, Indústria e Planejamento. Contudo, ele afirmou recentemente que o da Indústria poderia ser mantido a parte. HADDAD Revogação do congelamento do gasto público e da flexibilização da legislação trabalhista, aprovadas pelo governo de Michel Temer. Interromper as privatizações. Redução da dívida graças ao "retorno do pleno emprego" e medidas contra a evasão fiscal. Segurança BOLSONARO Flexibilizar a legislação sobre o porte de armas. Reduzir a maioridade penal de 18 para 17 anos. "Proteção jurídica" aos policiais que matarem suspeitos com sua arma em serviço. "Tipificar como terrorismo as invasões de propriedades rurais e urbanas". HADDAD Mudança radical da política atual antidrogas, "errônea, injusta e ineficaz", tomando como exemplo a experiência de descriminalização de outros países. "A política de controle de armas e munições deve ser aprimorada, reforçando o rastreamento" do armamento. Melhor coordenação dos serviços de inteligência para lutar contra o crime organizado Corrupção BOLSONARO: "Propomos um governo decente, diferente de tudo aquilo que nos jogou em uma crise ética, moral e fiscal". Diminuir para 15 o número de ministérios, a fim de limitar os arranjos entre partidos. HADDAD: Ele defende "maior transparência e prevenção à corrupção", mas considera que "a pauta do combate à corrupção não pode servir à criminalização da política". Diplomacia BOLSONARO: "Deixaremos de louvar ditaduras assassinas e desprezar ou mesmo atacar democracias importantes como EUA, Israel e Itália". HADDAD: "O Brasil deve retomar e aprofundar a política externa de integração latino-americana e a cooperação sul-sul (especialmente com a África), de modo a apoiar, ao mesmo tempo, o multilateralismo, a busca de soluções pelo diálogo e o repúdio à intervenção e a soluções de força". Educação BOLSONARO: Ele preconiza uma renovação dos programas escolares, com "mais matemática, ciências e português, sem doutrinação e sexualização precoce". Quer abrir escolas administradas pelos militares. HADDAD: Propõe programas com "uma perspectiva inclusiva, não-sexista, não-racista e sem discriminação e violência contra LGBTI+ na educação e demais políticas públicas". Aborto BOLSONARO: O programa de Bolsonaro não menciona o aborto, que, no país, é autorizado em caso de risco para a vida da mãe ou de fetos com anencefalia. O candidato prometeu vetar qualquer tentativa de flexibilização desta lei. HADDAD: O programa do PT tampouco faz referência ao aborto. Em 11 de outubro, após visitar a sede da Confederação Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), Haddad destacou sua concordância com temas que a Igreja Católica considera essenciais, como a preservação da vida. LGBTI BOLSONARO: Não há nenhuma menção no programa de Bolsonaro aos direitos dos LGBTI (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Transgênero, e Intersexuais). Várias de suas declarações foram abertamente homofóbicas. Na campanha tentou se mostrar mais amigável. Em uma entrevista recente a uma rádio de Pernambuco, disse respeitar as opções de adultos e declarou: "Os homossexuais serão felizes se eu for presidente". HADDAD: O programa de Haddad tem um capítulo intitulado "Promover a cidadania LGBT+", que propõe a "criminalização da LGBTIfobia" e promete criar iniciativas de inserção educativa e trabalhista "a pessoas travestis e transexuais em situação de vulnerabilidade". Meio ambiente BOLSONARO: O candidato do PSL, que conseguiu apoio da bancada do agronegócio no Congresso, propõe em seu programa reunir os ministérios da Agricultura e do Meio Ambiente, ainda que recentemente tenha dito que poderia voltar atrás nessa questão. As palavras desmatamento, Amazônia e aquecimento global estão ausentes do documento. HADDAD: O programa de Haddad se propõe a chegar a uma "taxa zero de desmatamento até 2022, sem reduzir a produção agropecuária "graças a um uso mais eficiente" das terras de cultivo e do pasto. Também se propõe a iniciar uma transição para "uma economia justa e de baixo carbono, contribuindo decisivamente para conter aquecimento global".

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