O milionário, que disputa as primárias à Casa Branca pelo Partido Republicano, se refere aos mexicanos como narcotraficantes e estupradores

Se chegar à presidência dos Estados Unidos, Donal Trump disse que obrigará o México a pagar a construção de um muro em seus mais de 3 mil km de fronteira (Brendan Smialowski/France Press)
Com mais de dois metros de altura, terno azul, camisa branca e gravata vermelha - cores da bandeira americana -, um Donald Trump de papelão sorri, às vésperas de arder, no sábado (26), na "queima do Judas", que será realizada no México para afastar o mal na Semana Santa. "Agora vamos queimar Trump porque não gostamos dele, fala muito mal dos mexicanos", disse nesta quinta-feira (24) à AFP, Felipe Linares, artesão que demorou uma semana para fazer este boneco com a imagem do milionário que disputa as primárias à Casa Branca pelo Partido Republicano. Como parte das tradições da Semana Santa, no Sábado de Aleluia, os mexicanos queimam bonecos diferentes, representando o diabo, personagens políticos ou esportistas transformados em vilões, em alusão a Judas Iscariote que, segundo os textos bíblicos, traiu Jesus. "Assim queimamos Judas, o mal. A tradição foi se perdendo, mas aqui lutamos para preservá-la", comenta Linares, que há mais de 50 anos se dedica a fazer Judas em seu ateliê em uma zona popular do centro da Cidade do México. Desde 1920, os Linares fazem estes bonecos com varas de madeira, papel reciclado e uma mistura de farinha e água, que depois pintam em cores vivas. Aos pés e em outras partes do corpo são colocados fogos de artifício para que "pareçam alegres" enquanto queimam, comenta um sorridente Linares, que calcula o custo do "Judas Trump" em 170 dólares. O ateliê, localizado em uma casa modesta, foi fundado por Pedro Linares (1906-1922), pai de Felipe e que, em 1936, criou os "alebrijes", bonecos de seres fantásticos em papel marchê, artesanato dos mais apreciados e conhecidos do México. Ao lado de Trump serão queimados uma dezena de Judas com diferentes imagens, entre elas a do apóstolo que virou traidor, diabos e um ser com duas faces, de um lado a do presidente Enrique Peña Nieto e do outro, do goleiro Guillermo Ochoa, ex-jogador da seleção que agora joga no Málaga. Os políticos mexicanos são os Judas favoritos e esta é a primeira vez, segundo Linares, que um americano será queimado no Sábado de Aleluia. Segundo uma pesquisa de opinião, 61% dos mexicanos têm opinião negativa sobre Trump, que se refere aos mexicanos como narcotraficantes e estupradores e adverte que, se chegar à Presidência americana, obrigará o México a pagar a construção de um muro em seus mais de 3 mil km de fronteira.