no zimbábue

Ex-vice-presidente pede a renúncia de Mugabe

Ao mesmo tempo, os veteranos da guerra de independência convocaram protestos para pedir a renúncia do presidente

France Presse
21/11/2017 às 10:59.
Atualizado em 23/04/2022 às 03:56
Ex-vice-presidente pede a renúncia de Mugabe (Divulgação)

Ex-vice-presidente pede a renúncia de Mugabe (Divulgação)

O ex-vice-presidente do Zimbábue Emmerson Mnangagwa se uniu nesta terça-feira aos pedidos de renúncia imediata do presidente Robert Mugabe, contra quem o Parlamento deve, a princípio, iniciar um processo de destituição. Ao mesmo tempo, os veteranos da guerra de independência convocaram protestos para pedir a renúncia do presidente. Quase uma semana depois da intervenção das Forças Armadas provocada por sua expulsão, Mnangagwa saiu do silêncio para exigir a renúncia do chefe de Estado, que governa o país com mão de ferro há 37 anos. "Convido o presidente Mugabe a considerar os pedidos feitos pelo povo para sua renúncia de forma que o país possa avançar" afirmou Mnangagwa em um comunicado. O ex-vice, conhecido "crocodilo", é considerado o favorito para liderar a transição política. Mnangagwa, 75 anos, foi destituído em 6 de novembro, por iniciativa da primeira-dama, Grace Mugabe, com quem competia para suceder o presidente, de 93 anos. A expulsão deste homem leal ao regime, herói da luta pela "libertação" do Zimbábue, provocou a intervenção das Forças Armadas, que controlam o país desde 15 de novembro. O decano dos chefes de Estado ativos no mundo se recusa a deixar o poder, apesar das pressões do governo, seu partido e a opinião pública. Pouco depois do comunicado de Mnangagwa, os veteranos da guerra de independência, um dos pilares do regime, convocaram protestos para exigir a saída de Mugabe. 'Bye bye Robert' "Toda a população deve abandonar o que está fazendo e seguir para a 'Casa Azul'", a residência privada do presidente do Zimbábue, para que Mugabe "abandone o poder imediatamente", declarou à AFP o líder dos veteranos de guerra, Chris Mutsvangwa. "As manifestações devem começar já", completou, antes de informar que os protestos estavam previstos para quarta-feira. No sábado passado, dezenas de milhares de pessoas protestaram em Harare e na segunda maior cidade do país, Bulawayo, aos gritos de "Bye bye Robert" ou "Adeus avô". Centenas de manifestantes também protestaram na segunda-feira no campus da Universidade de Harare. Em seu texto, Emmerson Mnangagwa, que está no exterior desde sua destituição, confirmou que estava em contacto com o presidente Mugabe. "Posso confirmar que o presidente (...) me convidou a voltar ao país para discutir sobre os acontecimentos políticos em curso na nação. Respondi que não voltaria enquanto não estivesse satisfeito com as condições de minha própria segurança", explicou. O comandante do Estado-Maior do exército, o general Constantino Chiwenga, considerou as discussões entre os dois homens "promissoras". O general Chiwenga pediu à população, cada vez mais exaltada, "calma e paciência". Sem esperar por uma possível conclusão das discussões, o partido governista Zanu-PF decidiu iniciar nesta terça-feira um processo de impeachment no Parlamento. Reunida em caráter de emergência, a direção do Zanu-PF retirou de Mugabe o mandato de presidente do partido e anunciou um ultimato até segunda-feira ao meio-dia para deixasse a presidência do país, antes do início do processo de destituição. Mas o presidente ignorou os apelos e chegou a afirmar no domingo que presidiria o congresso do partido em dezembro. Nesta terça-feira, vários membros do governo boicotaram o conselho de ministros convocado por Mugabe, informou o jornal The Herald.

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