PRIMEIRO-MINISTRO

Netanyahu reivindica vitória em eleições de Israel

Netanyahu se reuniu com os líderes de vários partidos e tem a intenção de trabalhar imediatamente na formação do governo

France Press
18/03/2015 às 09:10.
Atualizado em 24/04/2022 às 02:20
Netanyahu acenda após confirmação de sua vitória em eleições de Israel (France Press)

Netanyahu acenda após confirmação de sua vitória em eleições de Israel (France Press)

Benjamin Netanyahu derrotou os adversários e as pesquisas, ao vencer as eleições legislativas de terça-feira em Israel, e já começou as negociações para formar um governo e continuar como primeiro-ministro.Netanyahu, chefe de Governo desde 2009 e apontado como perdedor nas pesquisas, é o grande vencedor das eleições e é praticamente seguro que Netanyahu será convocado pelo presidente Reuven Rivlin para assumir seu terceiro mandato consecutivo, o quarto de sua carreira política contando o período de 1996-1999.Netanyahu se reuniu com os líderes de vários partidos e tem a intenção de trabalhar imediatamente na formação do governo, para concluir esta tarefa em um prazo de duas a três semanas, afirma um comunicado do partido de direita do premier, o Likud.Ainda nesta quarta-feira ele deve fazer uma visita ao simbólico Muro das Lamentações em Jerusalém.O principal rival de Netanyahu, o trabalhista Isaac Herzog, reconheceu a derrota e desejou boa sorte a Netanyahu."Conversei há alguns minutos com o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu. Eu o felicite e desejei boa sorte", disse Herzog, que liderava a lista União Sionista.De acordo com os resultados da Comissão Eleitoral após a apuração quase total das urnas, o Likud de Netanyahu recebeu 23,26% dos votos, contra 18,73% da lista de Herzog, União Sionista.Traduzido para o Parlamento, segundo a imprensa, o Likud teria 29 das 120 cadeiras da Kneset, o congresso israelense, sete a mais do que era apontado pelas últimas pesquisas de intenção de voto.A União Sionista de Herzog ficaria com 24 cadeiras.A lista única dos partidos árabes foi a outra grande surpresa das eleições, com 14 cadeiras, e sai das urnas como a terceira força política.   "Um governo forte e estável"Durante a campanha, Netanyahu se apresentou como o fiador da segurança do país e o discurso alarmista  parecia insuficiente para muitos para derrotar Herzog e sua aliada de centro Tzipi Livni, que basearam a campanha em temas econômicos e sociais.Diante das pesquisas desfavoráveis, Netanyahu batalhou nos últimos dias para recuperar os desenganados com o Likud e conquistar os indecisos.Na segunda-feira, ele voltou a reafirmar a ideia de impedir a criação de um Estado palestino."Contra todas as previsões, conseguimos uma grande vitória para o campo nacional sob a direção do Likud", disse Netanyahu ainda na terça-feira à noite."Agora devemos construir um governo forte e estável", completou.O presidente Rivlin deverá agora decidir a quem pedir a formação de um governo, Uma vez proclamados os resultados oficiais, provavelmente na quinta-feira, o chefe de Estado terá sete dias para decidir.Uma das grandes questões é saber qual será a aliança decidida por Netanyahu.Ele pode optar por uma coalizão voltada para a direita, o que complicaria ainda mais as relações com a comunidade internacional, incluindo o grande aliado de Israel, Estados Unidos. Também pode pensar em uma coalizão de centro ou por um governo de unidade nacional.Netanyahu já entrou em contato com o Lar Judeu, partido nacionalista religioso que conquistou oito cadeiras, e com os ultraortodoxos Shas e Judaísmo Unido da Torá (sete cadeiras cada), assim como com o Israel Beitenu, partido nacionalista do ministro das Relações Exteriores Avigdor Lieberman (6 cadeiras), segundo o partido.Também conversou com outro aliado potencial, Moshe Kahlon, que saiu do Likud e lidera um novo partido de centro-direita mais voltado para o social, o Kulanu, que conquistou 10 cadeiras no Parlamento. A liderança palestina reagiu ao resultado eleitoral em Israel"Israel escolheu o caminho do racismo, da ocupação e da colonização, e não o das negociações", disse à AFP Yaser Abed Rabo, secretário-geral da Organização para a Libertação da Palestina (OLP)."Estamos diante de uma sociedade israelense doente de racismo, e de uma política de ocupação e construção de colônias. Temos pela frente um caminho longo e difícil de luta contra Israel", completou Abed Rabo."Temos que completar nossas gestões para deter a coordenação em temas de segurança (com Israel) e ir ao tribunal de Haia contra as colônias e os crimes de Israel em sua guerra de Gaza".As relações entre Israel e a Autoridade Palestina estão em declínio desde que, em abril do ano passado, fracassaram as negociações de paz mediadas pelos Estados Unidos. Desde então aconteceram episódios de violência e atentados em Jerusalém, uma guerra em julho e agosto entre Israel e o Hamas na Faixa de Gaza, assim como gestões diplomáticas dos palestinos contra o Estado israelense na ONU e no Tribunal Penal Internacional, que tem sede em Haia.

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