INTERNACIONAL

ONU condena amplamente decisão dos EUA sobre Jerusalém

Os Estados Unidos sofreram nesta quinta-feira na Assembleia Geral da ONU uma ampla condenação à sua decisão de reconhecer Jerusalém como a capital de Israel, depois de ameaçar com represálias os países que rejeitaram sua posição

Estadão Conteúdo
21/12/2017 às 19:40.
Atualizado em 22/04/2022 às 07:01

Os Estados Unidos sofreram nesta quinta-feira na Assembleia Geral da ONU uma ampla condenação à sua decisão de reconhecer Jerusalém como a capital de Israel, depois de ameaçar com represálias os países que rejeitaram sua posição.Dos 193 países-membros, 128 votaram a favor desta resolução, incluindo o Brasil, e 9 contra. Trinta e cinco países decidiram se abster."Cento e vinte e oito contra nove. Esse é um duro revés para os Estados Unidos", disse à AFP o embaixador palestino na ONU, Riyad Mansur, sobre o resultado.Sete países - Guatemala, Honduras, Togo, Micronésia, Nauru, Palau e as Ilhas Marshall - se juntaram a Israel e aos Estados Unidos e se opuseram à medida. O voto da Assembleia Geral não é vinculante, e o governo americano disse que não voltará atrás em sua decisão.Pouco antes da votação, a embaixadora dos Estados Unidos nas Nações Unidas, Nikki Haley, havia reiterado as ameaças financeiras aos países que votaram a favor de condenar a decisão de Washington, assegurando que seu governo "lembrará deste dia". Na quarta-feira, Trump advertiu que cortaria o financiamento americano aos países que apoiassem a resolução apresentada pelo Iêmen e pela Turquia em nome dos países árabes e muçulmanos."Tomam centenas de milhões de dólares e até milhares de milhões de dólares e depois votam contra nós", disse o chefe de Estado na Casa Branca. "Bom, estaremos acompanhando esses votos. Deixem eles votar contra nós. Economizaremos muito. Não nos importa", afirmou.- Netanyahu "satisfeito" -Os Estados Unidos não omitiram seu incômodo desde uma primeira votação, na segunda-feira, no Conselho de Segurança. Esta votação "é um insulto" que "não esqueceremos", disse Haley a seus 14 parceiros do Conselho, incluindo seus aliados europeus, que aprovaram por unanimidade a condenação à decisão de Washington. Essa resolução do Conselho não foi aprovada devido ao veto americano, mas a unidade dos outros membros soou como um desprezo ao governo de Trump. Na Assembleia Geral da ONU, nenhum país tem direito de veto e as resoluções não são vinculantes. Israel rejeitou antecipadamente a votação, chamando a ONU de "casa das mentiras", nas palavras do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu."Jerusalém é a capital de Israel, reconheça a ONU ou não" e "o Estado de Israel rejeita completamente a votação", disse. O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, declarou estar satisfeito com o número de países que não votaram."Em Israel nós rejeitamos esta decisão da ONU e reagimos com satisfação diante do número importante de países que não votaram a favor desta decisão", afirmou o primeiro-ministro em um comunicado.O embaixador de Israel, Danny Danon, afirmou que seu país "nunca será expulso de Jerusalém". Na abertura da sessão e dirigindo-se à Assembleia, o ministro das Relações Exteriores palestino, Riad al Malki, pediu apoio e se referiu à advertência dos Estados Unidos de que estava "anotando" cada voto e os nomes dos países que se opuseram à sua decisão. "A história registra nomes, recorda nomes, os nomes de quem faz o correto e os nomes dos que falam mentiras. Hoje buscamos direitos e a paz", disse Malki.- "Punhado de dólares" -O texto estabelece que qualquer decisão sobre o status de Jerusalém "não tem força legal, é nula e deve ser revogada". Ressalta que a solução deve ser parte de um acordo de paz definitivo entre israelenses e palestinos. A vitória simbólica desta quinta-feira "reafirma que a justa causa dos palestinos tem o apoio internacional", disse o porta-voz do palestino Mahmud Abbas, que espera maximizar seu peso em uma possível retomada do processo de paz. Com a votação em vista, Washington havia aumentado as pressões tentando evitar outro revés, surpreendendo muitos diplomatas da ONU. "Não é assim que funciona, votamos por princípios", disse à AFP um embaixador asiático. "Não podemos votar por anos A e de repente votar B", acrescentou uma contraparte da América Latina. Como resultado das pressões, muitos países se abstiveram, incluindo Canadá, México e Argentina, mas também, sinal da dificuldade da União Europeia para definir uma posição comum, Polônia, Hungria e República Tcheca. Aliada dos Estados Unidos, a Turquia é um dos principais opositores da posição de Washington. Seu presidente, Recep Tayyip Erdogan, pediu nesta quinta-feira de Ancara à comunidade internacional que não se "venda" por "um punhado de dólares", devido às ameaças de Trump de cortar ajuda financeira. Jerusalém Oriental foi anexada por Israel depois da guerra de 1967, uma decisão que nunca foi reconhecida pela comunidade internacional. Israel considera a totalidade de Jerusalém como sua capital, enquanto os palestinos desejam o leste da cidade como a capital de seu futuro Estado. Várias resoluções da ONU exigem que Israel se retire dos territórios ocupados durante a guerra de 1967, e o atual projeto de resolução é redigido nos mesmos termos que as resoluções anteriores da Assembleia.

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