O aumento do contágio leva várias nações europeias a tomarem medidas drásticas contra pandemia

Homem caminha por rua praticamente deserta em Manchester, na Inglaterra: um novo e longo confinamento (Oli Scarff/AFP)
Reino Unido, Alemanha e Itália intensificaram, ou prolongaram, as restrições a partir de ontem diante de uma pandemia que não cede, o que provoca o temor de um retorno do confinamento total em vários países da Europa, onde as autoridades são criticadas também pela lentidão nas campanhas de vacinação.
"A partir de hoje (ontem) devem permanecer em casa, com poucas exceções", afirmou o governo britânico no Twitter, poucas horas depois do anúncio do primeiro-ministro Boris Johnson sobre o novo confinamento dos 56 milhões de habitantes da Inglaterra.
O objetivo é, segundo o chefe de Governo, retomar "o controle da nova cepa" do coronavírus, que agravou a situação no fim de 2020 e provocou mais de 50.000 contágios diários na última semana. Ao contrário do segundo confinamento, Johnson também decidiu fechar todas as escolas desta vez.
Na Escócia, o governo semiautônomo determinou o confinamento total a partir de ontem. Irlanda do Norte e Gales já haviam instaurado importantes restrições antes do Natal.
Segundo o ministro britânico Michael Gove, responsável pela coordenação da ação governamental, o confinamento permanecerá em vigor até março.
Com mais de 75.000 mortes por Covid-19, o Reino Unido é o segundo país da Europa mais afetado pela pandemia, atrás apenas da Itália.
Neste contexto de emergência e, ao contrário do que acontece em outros países europeus, a campanha de imunização prossegue em alta velocidade no Reino Unido, onde na segunda-feira teve início a distribuição da vacina do laboratório britânico AstraZeneca e da Universidade de Oxford.
As autoridades encomendaram 100 milhões de doses desta vacina, mais barata e mais fácil de armazenar que a da Pfizer/BioNTech que já foi administrada em mais de um milhão de britânicos desde o início dezembro.
Críticas à vacinação lenta
A situação no Reino Unido não é única. Outros países da Europa, a região mais afetada pela pandemia com mais de 589.000 vítimas fatais e 27,3 milhões de casos, temem que os novos focos provoquem mais medidas restritivas.
A Itália, com mais de 75.600 mortes, decidiu prolongar as restrições e adiar o retorno das aulas do Ensino Médio.
Na Alemanha, o governo deve anunciar nas próximas horas a manutenção das restrições, provavelmente até 31 de janeiro, e ampliar as medidas com o fechamento das escolas.
Em 30 de dezembro, o país superou pela primeira vez a marca de 1.000 mortes em 24 horas. A Alemanha registra 1,787 milhão de casos desde o início da pandemia, que provocou mais de 35.000 vítimas fatais em seu território.
Ao contrário da primeira onda, a gestão da segunda onda recebe críticas no país. O jornal Bild acusa o governo de ter contado "em demasia" com a União Europeia (UE) para o fornecimento de vacinas e de ter privilegiado o fármaco da Pfizer/BioNTech, cuja primeira dose já foi aplicada em mais de 264.000 pessoas.
Na França, onde até 1º de janeiro apenas 516 pessoas haviam recebido a vacina da Pfizer/BioNTech, o governo, encurralado pelas críticas, prometeu acelerar a campanha de vacinação.
O Kremlin anunciou nesta terça-feira que o presidente russo, Vladimir Putin, conversou com a chanceler alemã, Angela Merkel, sobre uma possível "produção conjunta de vacinas" contra o coronavírus.
Na Espanha, onde a população também critica a lentidão da imunização, a pandemia privará as crianças das tradicionais cerimônias dos Reis Magos, populares desfiles que percorrem as cidades a cada 5 de janeiro.
Respeitar os prazos da vacina
Em todo mundo, a pandemia provocou mais de 1,85 milhão de mortes e 85,6 milhões de contágios desde o surgimento na China, em dezembro de 2019.
A vacinação é a grande esperança de frear os números, mas alguns países, diante da quantidade limitada de doses, deram a entender que pretendem aumentar o prazo recomendado entre as duas injeções necessárias, com o objetivo de imunizar um número maior de pessoas.
Uma estratégia que levou o laboratório alemão BioNTech, produtor da primeira vacina autorizada na Europa, comercializada em parceria com o grupo americano Pfizer, a recordar que os prazos devem ser respeitados para garantir a eficácia máxima do fármaco, ou seja, 21 dias entre a primeira e a segunda injeção.
Na América Latina, o México se tornou na segunda-feira o quarto país do mundo a autorizar a vacina AstraZeneca/Oxford, depois de Reino Unido, Argentina e Índia.
O país é o quarto mais afetado pela pandemia em número de mortes, com mais 127.700 óbitos, atrás de Estados Unidos, Brasil e Índia. Em 24 de dezembro, o México iniciou a vacinação dos profissionais de saúde com o fármaco fabricado pela Pfizer/BioNTech.