O São Paulo vive uma crise que não combina com seu tamanho e muito menos com a imagem que teve durante muitos anos, de clube bem organizado e exemplar. Os acontecimentos mais recentes — agressões entre dirigentes, irregularidades administrativas e saída de um treinador que disse com todas as letras que não confia na diretoria — são sinais evidentes de que o clube está no caminho errado. Nada disso, porém, me surpreende. A eleição de Carlos Miguel Aidar foi um gigantesco retrocesso para o São Paulo. E não falo apenas pelos lamentáveis acontecimentos dos últimos dias. Já escrevi sobre o presidente tricolor duas vezes e vou repetir aqui trechos de colunas publicadas em março e julho: Trecho da coluna de 27 de março de 2015: “(...) Para complicar esse cenário, o clube elegeu Carlos Miguel Aidar, dirigente de uma época em que o futebol era totalmente diferente. Seu discurso é em parte moderníssimo, mas as atitudes são arcaicas e desastrosas. Aidar está fazendo o outrora soberano São Paulo regredir. E esse retrocesso começa a ficar mais claro.” Trecho de coluna de 3 de julho de 2015: “(...) Nenhuma frase, porém, descreve melhor a situação do clube do que a de Michel Bastos: ‘Quando vim, me disseram que o São Paulo não atrasava salário’. O Tricolor tem muitos problemas e isso deve ser uma constante na gestão de Carlos Miguel Aidar. Mas a combinação salário atrasado e elenco enfraquecido é desastrosa. O São Paulo ganhou apenas um título nos últimos sete anos e, pelo andar da carruagem, vai demorar um pouco até que volte a ser campeão.” A temporada de 2015 do São Paulo não pode ser definida como um desastre. Em 5º lugar no Brasileiro, briga com boas chances por uma vaga na Libertadores. A presença na semifinal da Copa do Brasil é positiva, mas é preciso destacar que, para chegar até aqui, teve que eliminar apenas Ceará (17º colocado da Série B) e Vasco da Gama (19º da Série A). O problema é que não ser um desastre é pouco para um clube do tamanho do São Paulo, que conquistou apenas um título (Sul-Americana de 2012) nas últimas sete temporadas. Nos sete anos anteriores a esse período de seca (entre 2002 e 2008), foram seis conquistas, entre as quais uma Copa Libertadores e o inédito tricampeonato Brasileiro de 2006, 2007 e 2008. Aidar, definitivamente, está levando o São Paulo para um caminho diferente. E, quanto mais longe ele for, mais tempo vai levar para seu sucessor recolocar o clube na direção correta.