CARLO CARCANI

O Brasil como sempre deve ser

Carlo Carcani
carlo@rac.com.br
30/06/2013 às 23:04.
Atualizado em 25/04/2022 às 10:15

Bicampeã europeia e campeã mundial, a Espanha, evidentemente, está entre as grandes seleções do planeta. Seu estilo de jogo é uma referência e sua qualidade, indiscutível. Mas, caro Fernando Torres, a Espanha ainda não é o “Brasil do presente”. O atacante espanhol, e todos seus companheiros, descobriram isso na noite deste domingo, no Maracanã. E foi uma descoberta dolorosa para quem estava invicta há 29 partidas. Uma derrota dolorosa para uma geração que, até então, não havia sido goleada por ninguém.

O Brasil não foi Brasil por um bom tempo. Depois da derrota para a Holanda na Copa de 2010, a Seleção perdeu sua cara. Deixou de ser competitiva, não conseguia ganhar de nenhum adversário forte e, merecidamente, foi vaiada e criticada em diversas ocasiões.

O trabalho com Felipão também não começou bem, mas assim que teve um período maior para montar a equipe, o treinador conseguiu fazer com que o Brasil voltasse a ser forte, como sempre deve ser.

A atuação deste domingo foi brilhante, intensa, memorável. O time levou a torcida que lotou o Maracanã ao delírio porque jogou como a melhor seleção do mundo. Engoliu a poderosa Espanha, marcando no campo todo e jogando de forma muito agressiva.

O Brasil foi muito melhor do que seu adversário. Fred abriu o placar logo de cara, com um gol típico de um camisa 9. Neymar brilhou mais uma vez. Fez gol, entortou os adversários, obrigou Del Bosque a trocar de lateral no intervalo e depois provocou a expulsão de Piqué. Brilhante, o que não é nenhuma novidade para quem não se preocupa apenas em enxergar defeitos que ele não tem. Recebeu a Bola de Ouro e viaja para Barcelona como estrela de primeira grandeza.

Oscar e Hulk, titulares discretos durante a competição, foram muito bem neste domingo. Luiz Gustavo e Paulinho foram muito bem durante a competição e neste domingo foram quase perfeitos.

Julio Cesar fez uma boa defesa e escapou de levar mais um gol de pênalti. Termina como o menos vazado do torneio.

Dani Alves e Marcelo também gastaram a bola e a dupla de zaga foi excepcional. O capitão Thiago Silva jogou com a costumeira segurança e David Luiz ouviu 70 mil pessoas gritarem seu nome após salvar um gol certo da Fúria, em um lance no qual teve muita garra e velocidade.

É claro que Copa das Confederações não é Copa do Mundo, mas, ao conquistá-la com cinco vitórias em cinco jogos (a última delas diante da Espanha, por nocaute), o Brasil mostra a Torres, ao mundo e a sua própria torcida que ainda é o Brasil. Uma campanha perfeita.

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