Coluna publicada na edição de 15/3/20 do Correio Popular
O Guarani não vence a Ponte Preta há seis Dérbis e no de amanhã entrará em campo como favorito pela primeira vez nesse período. No primeiro clássico de 2018, havia uma ligeira sensação de que o Bugre poderia vencer, mas era um time que havia acabado de subir da Série A2 e que voltava à Série B depois de um longo período na terceira divisão. A Ponte venceu no Brinco de Ouro por 3 a 2. No Dérbi 196 o cenário é diferente. Os dois disputaram os mesmos campeonatos em 2018 e 2019, período no qual a Macaca levou vantagem nos confrontos diretos. Neste Paulistão 2020, porém, o time que começou sob o comando de Gilson Kleina e hoje é dirigido por João Brigatti joga pressionado pela ameaça de rebaixamento. Sem vencer há seis rodadas e com a pior campanha entre os 16 participantes, precisa desesperadamente voltar a vencer. Se o fizer na casa de seu rival, já partirá para a rodada seguinte pensando em classificação para as quartas de final. Se perder, viverá um momento de enorme pressão. O Guarani não é favorito por estar sobrando no campeonato, mas por realizar uma campanha bem melhor. Está na zona de classificação do Grupo D e vem de apresentações mais consistentes. Tem seis pontos e três gols a mais do que a Ponte. Sofreu quatro derrotas e seis gols a menos. Joga em casa. Por todos esses fatores, pode ser apontado como favorito. Dois fatores aumentam as chances da Ponte. O volante Deivid, titular nas nove rodadas, recebeu o terceiro cartão amarelo na vitória sobre o Ituano e cumpre suspensão. Ninguém sabe como o time vai reagir sem a presença dele à frente da zaga. O outro aspecto, de repercussão muito maior, é a ausência da torcida. O presidente do Guarani, Ricardo Moisés, reclamou demais da imposição da Prefeitura. Acusou de ser uma decisão política, tomada por influência do presidente da Ponte Preta, Sebastião Arcanjo, ex-vereador e deputado estadual. Diante de todos os esforços de Campinas e do Brasil na contenção do coronavírus, a reclamação não faz sentido. Várias medidas foram tomadas em outras áreas e o Dérbi de portões fechados é apenas uma delas. No próximo domingo, a Ponte terá um jogo decisivo (pela classificação ou contra o rebaixamento) com o Novorizontino, no Majestoso. A partida também deve ser sem torcida, o que derruba a tese de que a Prefeitura “ajudou” a Ponte Preta. É certo que tanto a diretoria como a comissão técnica vão utilizar essa decisão da Prefeitura como uma motivação extra para o elenco, mas essa é mais uma história que vai entrar para o folclore do clássico campineiro. Os preciosos e especiais três pontos ficarão com o time que jogar melhor e for mais e eficiente.