RUBENS MORELLI

O exemplo está aí, basta seguir

Rubens Morelli
21/02/2015 às 05:00.
Atualizado em 24/04/2022 às 00:21
Rubens Morelli (Cedoc)

Rubens Morelli (Cedoc)

Dois dias depois de insultos racistas serem flagrados em uma estação de metrô de Paris, três torcedores do Chelsea foram banidos do Estádio Stamford Bridge, em Londres, pelos dirigentes do próprio clube inglês. O vídeo com as imagens dos britânicos vociferando cânticos nada amigáveis em direção a um negro que só queria embarcar na estação Richelieu-Drouot antes da partida entre PSG e Chelsea, na última terça-feira (17), pela Liga dos Campeões, ganhou o mundo. E uma resposta imediata após poucas horas de investigação. O trabalho de prevenção à violência atrelada ao futebol é notório na Inglaterra, país que sofreu por muitos anos nas mãos de hooligans, aqueles mais exaltados que preferiam brigar a assistir a uma partida de seu time. Lá não houve jogos de torcida única, muito menos espaço para conversas entre dirigentes e torcidas organizadas — como ficou claramente exemplificado pelo presidente do São Paulo, Carlos Miguel Aidar, que prometeu a uma das organizadas, em ligação telefônica na frente de jornalistas, pagar o transporte de ônibus que levou os são-paulinos à Arena Corinthians, anteontem à noite — ou coisas do gênero.   A medida adotada na Terra da Rainha foi a tolerância zero a crimes de violência, seja dentro ou fora dos estádios, conforme regem as leis daquele país.   Desde então, os clubes ajudam como podem o trabalho da polícia, incluindo o fichamento de torcedores, por meio de programas de sócios, o que facilita, e muito, na questão de reconhecimento de suspeitos por câmeras de segurança ou vídeos da internet, como no caso desta semana. Isso sem falar no monitoramento das entradas e saídas dos estádios, das arquibancadas, além de seguranças treinados para retirar imediatamente qualquer um que extrapole as regras da boa convivência.   Tais medidas permitiram que os estádios abolissem as grades que separavam os torcedores dos dois times e do próprio gramado. E ai de quem desobedecer.Anteontem, para citar o clássico entre São Paulo e Corinthians mais uma vez, diversos fiscais de torcida foram flagrados com os olhos voltados para o campo, e não para os torcedores. Teve até quem incorporou os cânticos da massa para empurrar o time do coração enquanto trabalhava na arena pela segurança de todos.   E se na quarta-feira (18) não teve gritos racistas em São Paulo, os cânticos homofóbicos foram ouvidos em alto e bom som, sem que ninguém se importasse, como se fosse normal. A Constituição Brasileira prevê punição a quem comete esse tipo de barbárie, mas aqui ninguém toma providências imediatas como no caso do metrô de Paris. Triste.

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