JOGO RÁPIDO

O fator Ganso e o rebaixamento

Coluna publicada na edição de 12/9/19 do Correio Popular

Carlo Carcani Filho
12/09/2019 às 01:00.
Atualizado em 30/03/2022 às 16:09

A uma rodada do final do primeiro turno do Brasileirão, o Fluminense tem aproveitamento de 27,8%, igual ou muito próximo do rendimento de CSA e Chapecoense, times que entraram no campeonato com o único objetivo de se manter na divisão de elite. A diferença é que alagoanos e catarinenses não podem nem pensar em contratar um camisa 10 com salário na faixa de R$ 700 mil. O Fluminense, que desde o início do ano encontra dificuldades para manter a folha de pagamento em dia, também não poderia. Mas mesmo assim anunciou, no dia 31 de janeiro, a contratação de Paulo Henrique Ganso. O meia pertencia ao Sevilla e estava emprestado ao Amiens. Não conseguia nem ser reserva na Espanha. Não conseguia nem ser reserva no modesto time francês. Ainda assim, o Flu resolveu “reforçar” seu elenco com o jogador. Veio de graça — o que já diz muito sobre o que podemos esperar dele —, mas assinou um milionário contrato com inacreditáveis cinco anos de duração. Ao contratar Ganso, o Flu assumiu dois riscos altíssimos: desestabilizar suas finanças e ter uma brutal e perigosa queda de rendimento em campo. Afinal, Ganso não apenas não rende o esperado como ainda prejudica suas equipes. Por isso não ficava nem no banco no Sevilla. E nem mesmo no Amiens. Para aumentar suas chances de escapar do rebaixamento, o Flu precisa reconhecer o quanto antes seu erro grotesco e tirar Ganso do time. Além do péssimo rendimento ofensivo (em 13 partidas no Brasileirão, tem um gol e nenhuma assistência), Ganso compromete todo o sistema defensivo. Não se trata de exigir que desarme os adversários, já que essa não é sua função principal. Mas todo jogador precisa se movimentar com intensidade quando a bola está com o adversário. E Ganso faz o oposto disso. Caminha pelo gramado com o mesmo desinteresse que demonstra em suas enfadonhas entrevistas. É um jogador sem vibração. Na humilhante derrota de terça-feira para o Palmeiras, a imprensa destacou que Nenê (jogador de 38 anos e que vem sendo criticado pela falta de mobilidade) correu muito mais do que Ganso. E o camisa 10 do Flu tem apenas 29 anos. Não é por obra do acaso que o Fluminense tem a segunda pior defesa do Brasileirão. A escolha do técnico Oswaldo de Oliveira também foi ruim. Não acredito que tenha coragem de tirar o jogador de maior salário do time, embora isso seja extremamente necessário. Se continuar esperando que seu camisa 10 desperte e jogue um futebol compatível com seu salário, o Flu dificilmente conseguirá escapar da Série B.

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