Coluna publicada na edição de 22/6/19 do Correio Popular
A coluna de hoje seria sobre o traumático WO do Figueirense, mas esse assunto ficará para os próximos dias em virtude do tsunami que passou pelo Brinco de Ouro após a derrota (a 10ª em 17 rodadas da Série B) de terça-feira para o Operário-PR. Todo o departamento de futebol do Guarani — responsável pela montagem do elenco que não passou da primeira fase do Paulistão, foi eliminado da Copa do Brasil pelo Avenida (RS) e que segura a lanterna da Série B — foi demitido ontem, assim como o técnico Roberto Fonseca. O treinador teve passagem muito curta pelo clube, mas a troca se justifica porque ele foi contratado em uma situação de emergência. O Guarani até esboçou uma reação, mas não saiu do lugar. Acumula derrotas, se encontra em posição desesperadora e caminha a passos largos para a Série C. Fonseca não deu o menor sinal de que poderia tirar o time desse caminho. A troca, portanto, é válida. O desempenho do time também diz muito sobre o trabalho do departamento de futebol. O elenco foi muito mal montado, apostas em jogadores experientes não deram nenhum resultado e a falta de qualidade salta aos olhos. O clube já está à procura de seu quarto treinador na temporada. Notem que, no final do ano passado, resolveu demitir Umberto Louzer, treinador que conquistou o acesso ao Paulistão e a vaga na Copa do Brasil, além de ter realizado uma campanha mediana na Série B, sem nenhum risco de rebaixamento. Hoje, Louzer comanda o Coritiba — vice-líder da Série B e forte candidato ao acesso — e o Guarani está à procura de alguém capaz de recuperar meses e meses de trabalho perdido com Osmar Loss, Vinícius Eutrópio e Fonseca. Por fim, o Guarani deve ter também um novo presidente. A pressão sobre Palmeron Mendes Filho — o responsável pela contratação de toda essa turma — é enorme e tudo indica que ele será substituído por seu vice-presidente, Ricardo Moisés. Nos bastidores do Brinco de Ouro circula a informação de que, com o novo presidente, haverá injeção de recursos da ASA e da Magnum. Evidentemente, isso é importante para que o Guarani venha a ter alguma chance de evitar um novo rebaixamento. Mas dinheiro não é tudo. É preciso usar o orçamento disponível — seja ele farto ou escasso — com competência e responsabilidade. O Guarani errou demais em 2019 e para impedir que o ano termine com um enorme fracasso esportivo e financeiro, o clube terá que ser certeiro em suas próximas decisões, começando pela escolha dos profissionais que vão substituir Roberto Fonseca e Fumagalli.