Na coluna publicada no dia do anúncio do vencedor da Bola de Ouro da Fifa de 2013, escrevi que o prêmio de melhor do mundo cairia bem para qualquer um dos três finalistas. Cristiano Ronaldo não ganhou nenhum título, mas teve um rendimento individual espetacular, com muitos gols e participação decisiva nos confrontos da repescagem europeia da Copa do Mundo contra a Suécia.Messi também jogou muita bola, mas não fez a quantia absurda de gols que costuma atingir porque sofreu várias lesões durante o ano. Mesmo assim, foi campeão e artilheiro do Espanhol, com incríveis 46 gols.O terceiro candidato era o francês Ribéry. Tecnicamente, está em um nível inferior ao dos outros dois, que são excepcionais. Mas o ano do atacante do Bayern foi impecável. Ganhou cinco títulos, entre eles o da Liga dos Campeões, e foi um dos destaques individuais na conquista da Bundesliga, com 10 gols e 14 assistências. Na semifinal da Liga, o time de Ribéry massacrou o de Messi com o incrível placar agregado de 7 a 0.Escrevi que, pelas conquistas relevantes, daria meu voto para Ribéry. Mas também achava que a Bola de Ouro cairia bem para Cristiano Ronaldo (pelo rendimento permanente em altíssimo nível) ou Messi, por ter sido campeão espanhol, ter ido muito bem nas Eliminatórias e por, na prática, ser o melhor de todos.O clássico de domingo no Santiago Bernabéu confirmou isso. Com três gols e uma assistência, o argentino brilhou na emocionante vitória por 4 a 3 que manteve o Barcelona na briga pelo título.O clássico foi eletrizante, com duas viradas, grandes defesas e uma disputa intensa do primeiro ao último minuto. Uma verdadeira batalha entre dois dos mais poderosos times do planeta.Foi, também, uma batalha particular entre os dois jogadores que ficaram com a Bola de Ouro nos últimos seis anos. CR7 levou em 2008 e 2013. Messi foi eleito em 2009, 2010, 2011 e 2012. Só teve sua sequência interrompida no ano em que sofreu várias lesões. E mesmo assim, ninguém questionaria se ele tivesse recebido o quinto troféu. Cristiano Ronaldo é espetacular, mas o melhor do mundo, mesmo, atende pelo nome de Lionel Messi.Com o histórico hat trick de domingo (o segundo que ele consegue contra o arquirrival), Messi se transformou no maior artilheiro da história do clássico espanhol. Superou Di Stéfano, o lendário argentino que transformou o Real Madrid em um clube grande de verdade. Messi não tem a última Bola de Ouro, mas ainda é o melhor de todos.