Coluna publicada na edição de 2/9/18 do Correio Popular
Na sexta-feira, último dia na janela de transferências do mercado europeu, o Sevilla anunciou o empréstimo de Paulo Henrique Ganso ao Amiens. É mais uma evidência de que o clube espanhol jogou dinheiro fora quando contratou o meia por 10 milhões de euros. Há seis anos, o São Paulo também fez um negócio de alto risco ao comprá-lo do Santos. Mas pelo menos conseguiu se livrar do mico. Para o Sevilla, a missão será quase impossível. Ganso joga muito menos do que acha que joga. E isso vem desde os tempos de Vila Belmiro, quando exigia salário similar ao de Neymar. Ele brilhou como nunca com a camisa do Santos, justamente por ter Neymar ao seu lado. Sozinho, é incapaz de ser o craque que pensa que é. Os números de Ganso no Morumbi foram medíocres. Seu melhor momento, curto, foi no período em que teve Kaká ao seu lado. Mas foi na Espanha que o mercado enxergou que Ganso só tem habilidade para tocar bonito na bola. Mas finaliza pouco, corre pouco, não se desloca, não marca e não tem nenhum poder de decisão. Parte da imprensa se empolga quando ele marca gols bonitos ou faz assistências contra adversários do nível do Cartagena, da terceira divisão espanhola, ou do Formentera, da quarta. Foi só isso que Ganso fez na Espanha. Trabalhou com vários treinadores no Sevilla e não conseguiu se firmar com nenhum. Na última temporada, ficou meses sem jogar. Meses sem ser relacionado para o banco. Agora Ganso vai iniciar uma nova fase. Por coincidência, no futebol francês, onde também jogar seu velho amigo Neymar. O mercado tratou de mostrar a Ganso e aos jornalistas que acham que ele merece uma chance na Seleção Brasileira a que distância ele está de Neymar. Na temporada passada, o PSG de Neymar foi campeão francês com 93 pontos. O Amiens, foi o 13º colocado, com 45 pontos. O saldo de gols do PSG foi de 79. O do Amiens, menos 5. Em duas temporadas pelo Sevilla, Ganso disputou apenas 28 jogos. Marcou sete gols e deu seis assistências, a maioria em jogos pequenos da Copa do Rei. Aos 28 anos, Ganso terá o desafio de ajudar o Amiens a fazer ao menos uma campanha similar à anterior. Se for capaz de se firmar como titular, já será um avanço. Duvido que se transforme um ídolo da torcida. Na pequena cidade de Amiens, não terá companheiros como Neymar e Kaká. Seu parceiro mais conhecido do público brasileiro é o colombiano Mendoza, ex-Corinthians e Bahia.