JOGO RÁPIDO

O papel do técnico e o da diretoria

Coluna publicada na edição de 27/2/18 do Correio Popular

Carlo Carcani Filho
carlo@rac.com.br
26/02/2018 às 20:58.
Atualizado em 22/04/2022 às 14:36

O Paulistão é um campeonato com um número pequeno de participantes e com uma fórmula estranha, que provoca algumas distorções. O São Paulo, por exemplo, está em crise, não vence há três rodadas e tem um ataque que produz 50% a menos do que os outros três clubes grandes. Apesar de tudo isso, o Tricolor é o líder do Grupo B. No momento, a campanha não apenas lhe garante uma vaga nas quartas de final, como também a vantagem de decidir o mata-mata em casa. Fenômeno semelhante ocorria com a Ponte Preta, que depois de uma excelente estreia contra o Corinthians, construiu uma campanha numericamente eficiente, mas com poucos gols e quase nenhum brilho. Essa “eficiência” que manteve a Ponte na zona de classificação durante as oito primeiras rodadas derreteu após a derrota para o Mirassol. O fim da invencibilidade como visitante, a perda do segundo lugar e a preocupante distância de apenas dois pontos para a zona de rebaixamento trouxeram à tona a pobreza do futebol apresentado pela Ponte Preta. A jovem equipe treinada por Eduardo Baptista encontra muita dificuldade para concluir as jogadas. Em nove rodadas, conseguiu 32 finalizações. É um número muito baixo, superior apenas ao de Bragantino (30), Linense (30), Santo André (29) e Botafogo (28). Dois desses clubes (Linense e Botafogo) fecharam a 9ª rodada ontem à noite e aumentaram suas marcas. Os números mostram de forma clara deficiências preocupantes do time. A diretoria e a comissão técnica precisam reagir com inteligência a esse cenário. Do ponto de vista técnico, Eduardo Baptista precisa trabalhar para aumentar o nível de competitividade da equipe o mais rápido possível. Como é integrante do mesmo grupo do São Paulo, as chances de classificação ainda são altas para as quatro equipes e mais ainda para a Macaca, graças à sequência de jogos em Campinas que está por vir. O que o treinador não pode permitir é que o time se acomode e permita a aproximação dos últimos colocados. Na diretoria de futebol, é preciso reconhecer que a montagem do time para o Paulistão não foi adequada e que esse erro não pode se repetir no Série B. Não se trata de sair gastando mais do que o orçamento permite e nem rechear o elenco com “famosos” pouco compromissados. A Ponte precisa gastar bem os recursos disponíveis, montando um elenco capaz de brigar pelo acesso na Série B. Ao contrário do Paulistão, a segunda divisão nacional não permite que se brigue por objetivos com um time que vence apenas duas vezes em nove partidas.

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