Coluna publicada na edição de 13/9/19 do Correio Popular
Um projeto de lei que prevê a autorização de investimento de capital estrangeiro no futebol brasileiro pode ser votado ainda esse ano na Câmara dos Deputados. A ideia é permitir que os times troquem o modelo associativo por um sistema de clube-empresa. O projeto vai oferecer incentivos tributários temporários para estimular a mudança do maior número possível de clubes. De forma resumida, o projeto permitirá que sociedades anônimas ou limitadas substituam as associações sem fins lucrativos, modelo adotado por quase todos os clubes do País. Não sei se essa mudança vai ocorrer já em 2019, mas tenho certeza que será inevitável. Pode levar alguns meses ou anos, mas a mudança vai ocorrer em virtude da crescente movimentação de dinheiro no futebol profissional. Na quarta-feira, presidentes de 14 clubes (entre eles a Ponte Preta) se reuniram em Brasília com Rodrigo Maia, presidente da Câmara dos Deputados, para debater o projeto. O Botafogo, time do coração de Rodrigo Maia, é um dos mais ansiosos pela mudança. O clube carioca vê no novo formato uma oportunidade de sair de sua terrível crise financeira. O novo sistema vai dar aos clubes a possibilidade de ter orçamentos maiores, desde que sejam capazes de atrair investidores e, claro, ter competência para gerar lucro. Não tenho dúvidas de que o novo modelo é melhor e compatível com uma atividade que movimenta tanto dinheiro, mas é bom lembrar que empresas também quebram. Não é a quantidade de dinheiro que garante o sucesso de qualquer negócio e sim a competência com que os recursos são gerenciados. O assunto tende a ganhar espaço no noticiário nos próximos meses, mas é interessante notar que Flamengo e Corinthians já se posicionaram contra o projeto. Donos das maiores torcidas do País e com potencial para arrecadar mais do que os concorrentes em bilheteria, patrocínio, venda de produtos licenciados, programas de sócio-torcedor e nas cotas de TV aberta, fechada e pay-per-view, os dois preferem que o futebol brasileiro continuem como está. É fácil de entender a posição de ambos, já que a abertura do mercado permitirá que outros clubes também tenham a chance de competir com orçamentos milionários. Foi assim que os modestos Chelsea e Manchester City se transformaram em gigantes. E nada impedirá — muito pelo contrário — que os clubes mais populares tenham ainda mais dinheiro. A abertura para o capital estrangeiro tem tudo para dar mais força e qualidade ao futebol brasileiro.