Ao voltar da China, o presidente vai encontrar muito mais do que apenas o gabinete de Dilma desocupado
Ao voltar da China, o presidente Michel Temer (PMDB), vai encontrar muito mais do que apenas o gabinete de Dilma Rousseff (PT) desocupado. Temer vai chegar a um País ansioso por medidas que façam a economia andar, e de forma urgente. Vai encontrar também um País que aguarda, quase sem paciência, reformas na Previdência, no sistema tributário e nas regras que regulamentam a política partidária. Quase letárgico por um bom tempo, o Brasil precisa começar a andar. Para frente, não de lado. Ao voltar da China Além das reformas citadas, Temer vai chegar e se deparar com as ruas das maiores cidades ocupadas por gente que defendia a presidente cassada e que agora, com a mudança de governo, fará oposição ferrenha. Dilma deixou isso bem claro. Essas pessoas já estão espalhadas pelas ruas em manifestações que têm sido vistas em São Paulo, Rio e até em Campinas, por exemplo. O objetivo é marcar território e fortalecer teses que foram levados com a petista. FRASE "Na Previdência, todos aqueles que têm direitos adquiridos não precisam se preocupar." - Do ministro Eliseu Padilha, chefe da Casa Civil, ao falar sobre a reforma na Previdência Violência não As manifestações são legítimas, e disso não sobra nenhuma dúvida. Da mesma forma que as ações que levaram à cassação de Dilma, que foram originadas em movimentos de rua. O que não se pode tolerar é o uso da violência — seja ela por parte de manifestantes ou das forças de segurança que acompanham os protestos. Acuados Casos como o de Campinas, onde uma equipe de TV (repórter e cinegrafista) foi ameaçada e acuada na Avenida Francisco Glicério por uma multidão descontrolada, não combinam com a democracia e a liberdade de expressão. No caso, um homem e uma mulher que estavam fazendo seu trabalho e tinham todo o direito de estarem livres desse tipo de atitude. Bala de borracha Além disso, em São Paulo, durante a semana, confrontos entre manifestantes violentos e a Polícia Militar também geraram problemas e muito pano para manga. Uma mulher foi atingida por uma bala de borracha e acabou perdendo a visão do olho esquerdo. É esse o fim correto da história de uma pessoa que sai de casa para se manifestar com base em suas convicções políticas? Claro que não! Tolerância É preciso muita tolerância para poder respeitar posicionamentos diferentes e formas opostas de pensamento e visão de mundo. O respeito é, acima de tudo, a bandeira que tem que nortear qualquer relação humana, seja ela política, esportiva ou social. Quem não consegue pensar assim deve ficar em casa e evitar a pluralidade das ruas. ‘Golpe’ Voltando a falar de Temer, resta saber como ele vai lidar com essas vozes das ruas. Pouco depois da posse ele já tinha sinalizado, na última quarta-feira, que perdera a paciência com os discursos de “golpe” ao proferir resposta atravessada sobre o assunto. “Golpe” tem sido a palavra mais usada nas ruas pelas pessoas que não concordam com o impeachment de Dilma. O presidente vai ter que aprender a lidar com ela. Alto risco A Avenida Paulista promete ficar agitada mais uma vez neste domingo. As frentes Brasil Popular e Povo Sem Medo, que são contrárias ao governo de Michel Temer, farão manifestação a partir de 16h30. A manifestação foi liberada na sexta-feira, após polêmica por causa da passagem da tocha paralímpica pela avenida, o que tinha provocado a proibição do ato. Líderes do movimento dizem que não enxergam legitimidade no governo para permitir, ou não, um protesto que, dizem, tem caráter “livre”. Como será que a PM vai reagir?