
A Replan investirá na construção de uma nova unidade de produção de um tipo de óleo diesel menos poluente e mais produtivo (Gustavo Tilio)
Fundada em 1953, a Petrobras - a maior petrolífera do Brasil e uma das maiores do planeta - protagoniza uma história permeada de vultosos investimentos em pesquisa e inovação. A mais recente foi anunciada esta semana pela Replan, em Paulínia - a maior refinaria da empresa em capacidade de processamento de petróleo. A companhia investirá R$ 2,7 bilhões na construção de uma nova unidade de produção de um tipo de óleo diesel menos poluente e mais produtivo e o desenvolvimento de um programa de inteligência artificial para aumentar a eficiência energética e disponibilidade operacional da refinaria. A construção da nova planta deve gerar três mil vagas de emprego, por meio de empreiteiras contratadas para a obra. A fábrica terá capacidade de produzir diariamente 10 milhões de litros do combustível.
Ao longo de sua existência, a companhia foi alvo de disputas entre os defensores do controle estatal sobre setores considerados estratégicos, como o energético, e os adeptos do livre mercado, que pregam a sua privatização. Não obstante, a verdade é que, nos últimos anos, a companhia vem atuando livre das amarras estatais, como se fosse privatizada integralmente, apesar do governo brasileiro ainda deter a maior parte das ações da empresa de economia mista. Por conta disso, a imagem da Petrobras sofreu um forte desgaste perante a opinião pública nos últimos tempos, por conta de sua política de preços dos combustíveis, que elevou o custo da gasolina, diesel e gás ao consumidor final.
Desde 2015, a petroleira assinou 68 negócios, vendendo R$ 243,7 bilhões em ativos. Essas vendas incluem negócios como a gigante distribuidora de combustíveis BR, unidades produtoras de gás, dutos e exploração de petróleo. De acordo com a companhia, o plano é gerar recursos para quitar dívidas, aumentando assim o investimento no que o governo considera a área mais importante do conglomerado: a exploração de petróleo em formações do pré-sal. Os opositores do plano de venda de ativos dizem que a estratégia é uma forma disfarçada de privatização. Eles alegam que a transferência dessas operações cria monopólios que afetam a concorrência e reduzem a capacidade do Brasil de planejar e gerenciar a política de energia, combustíveis e petroquímica. Polêmicas de lado, é inegável que a empresa deve atuar livre de amarras intervencionistas. Por outro lado, cabe ao governo - independentemente de sua orientação ideológica - construir uma política energética que proteja a população das instabilidades de preços e, ao mesmo tempo, garanta os direitos dos acionistas.