O desenvolvimento da agricultura foi um marco para o desenvolvimento da civilização humana (Divulgação)
A Páscoa é repleta de símbolos que evocam o renascimento e a retomada da vida. No hemisfério norte, a Páscoa acontece no início da primavera, quando o clima se torna mais ameno, marcando a volta da fertilidade aos campos e o reinício de novos ciclos de cultivo e colheita. Ao longo dos séculos, a ressureição dos ciclos naturais sempre marcou as formas como a humanidade se organiza para viver e para produzir.
Agricultura
O desenvolvimento da agricultura foi um marco para o desenvolvimento da civilização humana. A capacidade de cultivar o solo para dele colher o alimento permitiu o assentamento humano e a criação dos primeiros agrupamentos, substituindo um modo de vida nômade baseado apenas na extração e coleção do que era encontrado na natureza.
FRASE
"A Revolução Agrícola proporcionou aos agricultores uma vida em geral mais difícil e menos gratificante que a dos caçadores-coletores".
Yuval Harari, historiador israelense
Atividade Econômica
O desenvolvimento de melhores técnicas agrícolas para sustentar o cultivo e a colheita permitiram a produção de excedentes, que passaram a ser trocados e comercializados, antes mesmo da criação das primeiras moedas que viriam a funcionar como meios de troca. Os excedentes eram trocados diretamente em quantidades de grãos ou de animais criados. Era o início da atividade econômica.
Revolução Agrícola
Essa foi a primeira revolução agrícola. Durante muitos anos, a capacidade de produzir em maiores quantidades e de gerar mais excedentes, marcava o sucesso de uma sociedade produtiva. Quanto maior a produção, maior a riqueza que poderia ser acumulada. Deste modo, todos os esforços eram válidos para conseguir aumentar os níveis de produção.
Revolução Agrícola 2
No entanto, ao mesmo tempo em que a revolução agrícola marcou o aumento da produção de alimentos, permitindo que a população aumentasse, provavelmente também significou uma queda na qualidade de vida dos indivíduos. Os incentivos para produzir cada vez mais favoreciam a monocultura especializada, fazendo com que a dieta do indivíduo se tornasse menos diversificada e mais pobre.
Monoculturas
Esse mesmo conceito pode ser trazido para a economia moderna. Os incentivos para atingir níveis de produção cada vez maiores favorecem o uso intensivo de monoculturas, onde grandes áreas são dedicadas à produção de um único produto. Embora busque privilegiar a produtividade, a monocultura tem desvantagens como provocar desequilíbrios ambientais que acabam por ameaçar a própria produção.
Commodities
Além disso, os grandes volumes intrínsecos à prática da monocultura implicam em uma homogeneização da produção. A monocultura é, por excelência, produtora de commodities. Soja, café, açúcar, milho, etc. São produtos basicamente iguais, padronizados, que podem ser comercializados em grandes mercados internacionais.
Origem Controlada
Por outro lado, existe um sistema de produção que não privilegia a quantidade produzida, mas sim a origem e a qualidade. É desse sistema que vêm os muitos produtos DOC e DOCG (denominação de origem controlada / controlada e garantida), classificações muito utilizadas para vinhos, mas que também são aplicadas para algumas culturas agrícolas na Europa.
Origem Controlada 2
Ao invés de commodities uniformes e produzidas em grandes quantidades, os produtos DOC/DOCG são extremamente diferenciados. Cada item é único, obtido de acordo com normas específicas de cultivo e de produção. Os produtos DOC/DOCG são itens de maior valor agregado, produzidos em quantidade limitadas, absorvendo um grande valor cultural e uma enorme identidade regional.
Modelo Alternativo
O Brasil colonial foi uma grande área de exploração de recursos para a metrópole. Ao longo da história, a monocultura sempre foi privilegiada para a produção de commodities para abastecer os mercados internacionais. Mas um modelo alternativo poderia ser empregado, privilegiando um sistema de produção mais diversificado, de maior valor agregado e mais genuinamente brasileiro.