
Em plena pandemia, foram emitidas 1.362.055 multas (Divulgação)
Com argumentos exóticos, os tecnocratas da Emdec - que administra o trânsito da cidade - não poupam esforços para negar a existência de uma "indústria de multas", como se isso fosse possível, dado o impressionante volume de autos aplicados no ano passado. Em plena pandemia, foram emitidas 1.362.055 multas, 68% delas disparadas por equipamentos eletrônicos e o restante emitido pelos populares amarelinhos. Apesar da promessa feita pelo seu presidente, Vinícius Riverete, de que a empresa aumentaria os investimentos em educação no trânsito, reduzindo as ações de caráter punitivo, a Emdec demonstra enorme dificuldade para se livrar dessa engrenagem. Para a frustração e indignação coletiva, a empresa anunciou uma compra de mais 58 radares, aumentando os atuais 126 para 184 equipamentos em operação e ampliando ainda mais a traiçoeira teia de controladores que, numa mesma via, fixa limites que variam de 40 a 60km/h. Com isso, os motoristas mal conseguem prestar atenção nas placas indicativas de mudança de limite em trechos curtos, caindo inexoravelmente nesses verdadeiros alçapões de controle de velocidade.
Diante dessa compra de equipamentos, o prefeito Dário Saadi agiu com firmeza e bom-senso ao mandar suspender o edital de aquisição desses novos radares. Não obstante, ele autorizou apenas a instalação de 18 controladores eletrônicos de velocidade necessários em alguns pontos das avenidas John Boyd Dunlop, Ruy Rodriguez, Camucim e Amoreiras, onde 51 mortes por acidentes de trânsito ocorreram entre 2018 e 2021 nesses locais. Sem conhecer os detalhes e justificativas técnicas que teriam embasado a compra desses novos equipamentos, o prefeito agiu corretamente ao anular essa decisão tomada pelos gestores da companhia de trânsito, dando tempo e condições para que um melhor diagnóstico da situação seja traçado.
Criada nos anos 1970 para planejar o desenvolvimento de Campinas, ao longo dos anos, a Emdec desviou-se de sua finalidade original por conta de peculiaridades administrativas e conveniências políticas para transformar-se nessa "máquina de arrecadação de multas", que sangra o bolso do trabalhador campineiro, já tungado pela pesada e injusta carga tributária deste país. Logo que assumiu o seu mandato, Dário Saadi prometeu resgatar os valores e a missão original da companhia. Como um mantra, há que se conquistar esse objetivo e, seguramente, o alcaide campineiro manterá essa diretriz com firmeza e determinação.