Coluna publicada na edição de 11/3/20 do Correio Popular
Compreendo a postura do técnico João Brigatti na entrevista que concedeu após a derrota em casa para o Red Bull Bragantino, resultado desastroso que deixou a Ponte Preta na zona de rebaixamento do Paulistão. Na minha avaliação, a atuação foi pobre, muito parecida com o que o time tem mostrado desde o início do ano. Falamos de um time que conquistou apenas um ponto nas últimas seis rodadas. Mesmo diante desses números e após uma derrota para um time que ainda não havia marcado nenhum gol fora de Bragança Paulista, Brigatti elogiou a postura de sua equipe. Garantiu à torcida que, jogando com esse espírito de luta até o fim do campeonato, a Ponte Preta não vai cair. Entendo que o treinador não apenas adote um discurso otimista — ele é necessário e coerente, já que a equipe segue com chances de avançar ao mata-mata —, como também faça elogios a um time que saiu de campo vaiado. Brigatti precisa manter a autoestima de seu elenco, que não pode, em hipótese alguma, se deixar levar pelo pessimismo. O treinador elogiou seu time porque tem um Dérbi pela frente. Quem levar os três pontos do Dérbi 196 ficará muito próximo de seu objetivo e Brigatti sabe que a Ponte não poderá entrar em campo sem confiar na própria capacidade de voltar a vencer depois de cinco derrotas e um empate no Paulistão. É compreensível, portanto, que Brigatti elogie a postura do time. Ele não pode, publicamente, criticar seus jogadores em um momento tão delicado. Mas é extremamente importante que, no vestiário e nos treinos, ele trabalhe intensamente para melhorar não apenas o rendimento, mas também o tal “espírito” do time. Não que a Ponte tenha sido um time acomodado ou apático na partida de segunda-feira. A questão é que, pela situação na tabela, a Macaca precisa jogar com mais apetite. O Red Bull tem um bom time e lidera o Grupo D, mas veio a Campinas na condição de segundo pior visitante do Paulistão. Acumulava duas derrotas e dois empates sem marcar nenhum gol fora de seu estádio. Evidentemente, não foi um jogo fácil, mas cada jogador deveria ter dado um pouco a mais do primeiro ao último minuto para que o adversário seguisse sem vencer fora de Bragança. É preciso lutar mais, não apenas no Dérbi, como também nas duas rodadas finais. Cobrar mais garra não é a única missão de Brigatti. Ele também precisa buscar alternativas para melhorar os três setores do time que, ao lado do Oeste, foi o que mais perdeu no Paulistão. Mas isso é assunto para outra coluna.