Coluna publicada na edição de 29/11/17 do Correio Popular
Um dia depois de conquistar o título do Campeonato Paulista sub-17, a Ponte Preta teve um domingo amargo. Sofreu uma derrota incrível para o Vitória e teve seu rebaixamento sacramentado. Para piorar, vândalos invadiram o gramado e impediram que a partida chegasse ao seu final. Uma punição rigorosa é inevitável e o time terá prejuízos financeiro e técnico no início da Série B de 2018. Disputar finais e conquistar títulos com a garotada é ótimo, mas a razão de existir do departamento amador é fornecer atletas para o time profissional. Ninguém no Palmeiras quer saber se Gabriel Jesus foi campeão nas categorias de base. O importante é que ele foi promovido ao time principal, conquistou seu espaço, chegou à Seleção, foi campeão brasileiro e rendeu quase R$ 80 milhões ao ser vendido ao Manchester City. É evidente que jogadores do nível de Jesus são raridades. De vez em quando é importante encontrar alguém assim, mas o trabalho deve ser focado no abastecimento do elenco profissional. Em 2017, a Preta contratou muitos jogadores que ficaram em campo por poucos minutos. Errar em um ou outro nome é inevitável, até mesmo para os clubes que possuem os maiores orçamentos. Mas a lista da Macaca é enorme. Inúmeros reforços foram dispensados e alguns que ainda estão no Majestoso mal foram utilizados. A Ponte perdeu tempo, dinheiro e pontos com tantas contratações ruins e isso foi determinante para seu fracasso na luta pela permanência na divisão de elite. Seria muito melhor para o clube que parte do elenco fosse formada apenas por jogadores da base. Garotos com vontade de crescer no futebol não se incomodam se tiverem que jogar poucos minutos durante um campeonato. Já os atletas mais caros e experientes que às vezes não ficam nem no banco perdem rapidamente a motivação. Quando o treinador precisar de um deles, dificilmente terá um bom retorno. Com jovens, a tendência é que ocorra o contrário. Um clube com os recursos da Ponte deveria montar sua base titular com 13 ou 14 jogadores da melhor qualidade possível, ter mais cinco ou seis atletas para compor o banco e completar seu elenco com frutos do departamento amador. Com um bom trabalho na base, é possível dar à comissão técnica atletas de qualidade semelhante a tantos que vieram ao Majestoso a passeio em 2017. E todos eles teriam uma enorme vontade de jogar, ao contrário do que aconteceu com alguns “reforços”. A base existe para abastecer o elenco profissional e não para ser desprezada.