O casamento realmente não tinha dado certo. O negócio próprio – revolucionário, segundo ele – fora um tremendo fracasso. Morava numa pocilga. O carro, sem seguro, estava quebrado, encostado numa esquina qualquer. A família inteira o odiava. Até o cachorro, antes inseparável, fugira e não voltara mais. E, sem surpresa alguma, andava perdendo o sono constantemente, como naquele dia.
No meio da madrugada ele se levantou com tudo da cama e resolveu que era hora de dar um basta naquilo tudo.
Juntou coragem, umas peças de roupa e saiu de casa decidido a mudar de vida.
Ao fechar o portão é que percebeu que não fazia a menor ideia por onde começar. Telefonou para um antigo colega do colégio, que não via há tempos, mas era um dos poucos amigos verdadeiros que fizera ao longo dos muitos anos. Atenderam do outro lado da linha. Ele disse:
– Clebão, é o Augusto.
– Augusto?!
– É, o Augusto. Do colégio.
– Ah... Nossa... São 3 horas da manhã. Cê tá bem? Aconteceu alguma coisa?
– Mais ou menos. Me faz um favor?
– É... Fa... Faço. O que é?
– Pesquisa aí no Google como é que muda de vida, por favor.