EDITORIAL

Planos de transportes e as tarifas

08/07/2013 às 05:00.
Atualizado em 25/04/2022 às 09:32

Quando as mobilizações populares tomaram as ruas do País, a provocação inicial estava voltada para o custo das tarifas de transporte público nas principais cidades brasileiras, bandeira levantada sob coordenação . Dentre tantas reivindicações apresentadas na sequência de protestos, a questão da mobilidade urbana suscitou uma reflexão sobre as condições dos serviços prestados em todos os municípios, especialmente nos grandes centros urbanos, sobrecarregados com o número de veículos em circulação e a demanda crescente por parte da população. Em muitos casos, o questionamento se atinha à qualidade dos serviços prestados e o valor das tarifas cobradas.

Os primeiros resultados vieram com a decisão de alguns governos locais subsidiarem as tarifas, pagando o custo político das manifestações populares.

Trazida para a pauta política, a questão do transporte coletivo urbano levantou o debate sobre a importância de um planejamento integrado, com a participação de todos os níveis políticos envolvidos, para que se tenha um serviço de qualidade, a preço justo e totalmente adequado à nova realidade das cidades. Segundo o Perfil dos Municípios Brasileiros 2012, divulgado na semana passada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), poucas cidades deram andamento ao necessário Plano Municipal de Transportes.

Nesta semana, o prefeito de Campinas Jonas Donizette (PSB) anunciou que pretende buscar recursos no governo federal para a implantação de linhas de metrô em Campinas. O que para alguns pode parecer excessiva projeção, todos os aspectos técnicos apontam para a conveniência de se pensar grande quando se trata do transporte público na Região Metropolitana de Campinas (RMC). Há tempos que Campinas precisa de um projeto e de meios de transporte modernos, além de um sistema viário ajustado, com soluções integradas e um planejamento que contemple todas as faces do problema. O que mais se viu foram soluções pontuais ou investimentos na superfície, sem considerar o verdadeiro foco de conexão entre as formas de locomoção. As vias devem ser adaptadas para receber o tráfego particular e profissional, o fluxo de veículos deve ser facilitado, os pontos de embarque devem oferecer segurança e comodidade, as linhas devem atender com folga à demanda. Este é o caminho traçado e não há como buscar atalhos nem atrasar providências. É preciso pensar agora em um sistema avançado de transporte para o futuro, sem tempo para paradas.

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