Agora que o impeachment foi votado e aprovado na Câmara Federal, as preocupações dos que anseiam pela gigantesca tarefa de reconstrução do Brasil que o PT destroçou, circulam por variados caminhos. Isso porque, na verdade, somos náufragos em mar de amargas urgências. Nessas condições há os que querem a imediata posse do presidente Temer para que sejam resolvidos problemas que vão do econômico ao social com suas inumeráveis vertentes. Pra mim, porém, a premência no sentido de que o Senado abrevie o processo de limpeza repousa na esperança de que, como está a pairar sobre nós a presença de um anjo, ele possa ser imediatamente entronizado à realidade tupiniquim. Para que esta combalida República saia de vez da rua da Amargura.Ora, amigos, vamos direto ao ponto, vamos ao que realmente interessa: a feiura, não somente institucional, mas também feminina, tem sido inconsútil manto de mau gosto que o destino jogou sobre os desígnios estéticos e institucionais da governança da nossa nação. Quem é capaz de me dizer, aqui e agora, há quanto tempo não contamos com uma Primeira-Dama (com letras maiúsculas) que tenha posto à apreciação dos nossos olhos uma fina estampa? Cuja beleza conduzisse à certeza de que os deuses nos ofereciam algo como o que encantou o poeta John Keats, que grafou para a eternidade o “thing of beauty is a joy forever” (“Um toque de beleza é alegria para sempre”). Nos chamados Anos de Chumbo, as esposas dos generais ditadores de plantão, exceções feitas à dona Yolanda Costa e Silva e dona Dulce Figueiredo, que exibiam certa opaca vitalidade, foram senhoras às quais a beleza mostrou-se avarenta, o que talvez tenha provocado seus recatos. Terminado o tempo dos milicos, a Primeira-Dama na volta à civilidade política, dona Marly Macieira Sarney, certamente comportou-se no posto com foros de cultora de peregrinas virtudes, que bem combinavam com seus ares de sisudez monástica de alguma soror saída das páginas de O Nome da Rosa, a linda obra de Umberto Eco. A seguir, a esposa do impichado Collor, de breve passagem pelos salões da corte, jamais alcançou status de encanto maior do que o concedido às cantoras de festas de peão de boiadeiro, louras fajutas que palitam os dentes com os dedos após roer espigas de milho assadas em brasas incandescentes. Por fim, dona Ruth Cardoso, intelectual de nomeada, nos oito anos de mando do marido se acaso largou os livros e os trabalhos sociais para aparecer em público cinco vezes, foi muito. Agora, desastre mesmo, em termos de Primeira-Dama, passamos a viver desde o dia em que o PT, assumindo o comando da nação, reduziu-a aos escombros que ansiamos em recompor. Ora, amigos, vamos falar a verdade, o horror chamado Mariza Letícia Lula da Silva foi um desses cataclismos que só assolam uma nação a cada 500 anos de suas existências. No tempão que Lula passou à frente dos destinos da pátria, tal senhora notabilizou-se por três obras: 1) Plantou, nos jardins do Palácio da Alvorada, uma estrela petista feita com flores e folhas vermelhas da Salvia officinalis, que ela chama de “sárvia”; 2) A cada mês de junho promovia, na Granja do Torto, festas caipiras às quais obrigava todos os mandões da República, ministros inclusive, a comparecer vestidos de Jecas-Tatu, e, 3) Entronizou, atendendo a pedido de uma vizinha em São Bernardo do Campo, o filho dela no Supremo Tribunal Federal. Que outro não é senão o notório doutor Ricardo Lewandowisky. Além de tudo, amigos, a breguice e a feiura feminina, graças à influência, por osmose, da Primeira-Dama, contaminou todos os escaninhos de Brasília. Que se viram, de repente, tomados por verdadeiras hordas de erenices guerra, idelis salvatis, rosemaris noronha, kátias abreu, graças foster, marias do rosário, jandiras feghalis, beneditas da silva e por aí vai. Mas, finalmente, com o impeachment de dona Dilma, somos tomados pela luz, pela esperança chamada Marcela Tedeschi Araújo Temer, a belíssima patroa do futuro presidente. Rosa d’alvorada no límpido orvalho dos seus trinta anos, é a tradução perfeita daquilo que o filósofo Sêneca (4 a.C–65) capitulava como mulher bonita. Ao afirmar que tal filha da natureza não é a pessoa de quem se elogiam as pernas ou os braços, mas aquela cuja inteira aparência é de tal beleza que não deixa possibilidades para admirar as partes isoladas. Ter esta amanhecente jovem senhora a viver no Palácio da Alvorada, é certeza de que a luz divina voltará a cobrir esta República combalida, salvando-a. Perfeita como as madonas que serviram de modelo aos renascentistas Giorgi Vassari, Giovanni Bellini, Paolo Veronese ou Lorenzo Loto, Marcela é a tábua de salvação em nosso mar revolto. Finalmente, amigos, a residência oficial de Brasília será realmente Palácio. Onde, com certeza, algum dia irei para, mesmo de longe, ajoelhado na relva, submisso, prestar minha vassalagem à realeza. Estamos salvos, pois nossa futura Primeira-Dama é a perfeita canção do céu na santificada gestação do azul. Somos, finalmente, quase monarquias primeiro-mundistas como Suécia, Dinamarca, Bélgica, Espanha, Holanda, e, “last but not least”, Inglaterra. “God save the queen”!