ETANOL

Produtores de cana de Piracicaba mobilizam-se

Objetivo é lutar por mais incentivos do governo federal para o Setor Sucroenergético

Adriana Ferezim
04/10/2013 às 11:34.
Atualizado em 25/04/2022 às 01:00
Mesa principal que coordenou o lançamento da Frente Parlamentar na Assembleia ( Divulgação)

Mesa principal que coordenou o lançamento da Frente Parlamentar na Assembleia ( Divulgação)

Cerca de 350 pessoas acompanharam o lançamento da Frente Parlamentar em Defesa do Setor Sucroenergético na quinta-feira (3) na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp). Objetivo é reivindicar políticas públicas do governo federal para a produção do etanol. 0Participaram da mobilização produtores, representantes de cooperativas e entidades do setor, como a Cooperativa dos Plantadores de Cana do Estado de São Paulo (Coplacana), a União da Indústria da Cana-de-Açúcar (Unica) e a Organização de Plantadores de Cana da Região Centro-Sul do Brasil (Orplana), além prefeitos, deputados estaduais e federais. A secretária estadual de Agricultura, Mônika Bergamaschi, representou o governador Geraldo Alckmin.De acordo com o deputado estadual Roberto Morais (PPS), que coordenou a constituição da Frente com o deputado Welson Gasparini (PSDB), mais de 20 deputados participaram do ato. Já foram definidas algumas ações. “Vamos solicitar audiência com o governador e promover encontros regionais nas cidades produtoras do Estado, para poder ter conhecimento de todas as demandas do setor”, disse Roberto Morais.Ele avaliou a audiência como um sucesso. “A Frente foi constituída e há uma necessidade clara por um incentivo do governo federal”, afirmou. Na na safra 2012/2013, 330 milhões de toneladas de cana-de-açúcar são cultivadas em mais de 450 municípios paulistas.No próximo dia 5, a frente irá a Brasília, para a instalação da Frente Parlamentar no Congresso Nacional. Potencial De acordo com Arnaldo Bortoletto, presidente da Coplacana, São Paulo produz pouco mais de 50% de toda cana-de-açúcar cultivada no país e gera aproximadamente 400 mil empregos diretos. “Não dá para continuar a situação de termos um custo de produção acima do preço obtido com a venda da cana”.Segundo ele, o valor atual do custo por tonelada de cana está em R$ 70,00 e os produtores estão conseguindo receber entre R$ 58,00 e 59,00. Bortoletto liderou uma caravana de empresários e produtores da cidade para a Alesp. (Leia reportagem nesta página). “Muitas entidades de todo o Estado também vieram com ônibus e na plenária, ficou muita gente em pé. O interesse de todos, a participação dos deputados, inclusive federais, resgatou nosso ânimo”, disse.Segundo ele, os três deputados federais que acompanham o setor marcaram presença. São eles: Antonio Carlos de Mendes Thame, Arnaldo Jardim e Eduardo Nogueira.MobilizaçãoPara Bortoletto, o setor não pode mais ficar parado e, para ele, a frente parlamentar estadual e a federal, que será criada, é um importante incentivo para a mobilização dos produtores. “Temos que nos mobilizar, discutir os problemas e enfrentá-los. Nós lutamos pelo etanol e principalmente pelo pequeno produtor. Nos últimos anos já tivemos 40 usinas fechadas e o etanol é um produto nacional, que gera emprego e é totalmente sustentável. Não podemos ficar com a defasagem no preço e mantê-lo vinculado ao valor da gasolina. Se os produtores do Nordeste contaram com ajuda do governo, também temos o mesmo direito. Precisamos de políticas públicas para o setor”, comentou.Bortoletto afirmou que na macrorregião de Piracicaba, os pequenos produtores são responsáveis por 10 milhões de toneladas de cana e as usinas instaladas nessa região produzem mais 30 milhões. “Essa é a previsão para essa safra, cerca de 40 milhões de toneladas, um acréscimo de 2% a 3% a mais de produtividade. No entanto, essa safra está inferior em qualidade, cerca de 5%, o que reduz o seu preço”.De acordo com ele, as chuvas e a proibição da queimada contribuem para a queda da qualidade da cana. “Quando a palha, mesmo que ela seja reaproveitada pela usina, entra junto com a cana, ela é considerada impureza na análise da amostragem”, explicou.A secretária Mônika Bergamaschi parabenizou os idealizadores da frente e falou que foi por iniciativa do governador Alckmin que houve a redução no ICMS do etanol, conforme informações da Alesp. Mônica falou na audiêcnia que seria bom se isso fosse copiado nos outros Estados. Disse ainda que o setor tem dado sucessivas demonstrações de superação e que o governo do Estado trabalha com a hipótese de haver, em 2020, 69% da matriz energética sendo ocupados pelo etanol. Elogiou, também, a preocupação do setor com a sustentabilidade. Mônika ofereceu apoio, mas alertou para os limites que o governo tem para agir. "O governo ajuda muito se não atrapalhar". UnicaDe acordo com a presidente da Unica, Elizabeth Farina, a frente é um passo essencial para acelerar a conscientização da opinião pública e dos governantes sobre as dificuldades do setor que são crescentes. De acordo com publicação do site da instituição, a presidente avalia que “os números mostram uma situação que vem se agravando desde a crise financeira mundial de 2009, aprofundada por três safras consecutivas com graves problemas climáticos e queda de produção, além da ausência de políticas públicas de longo prazo que permitam ao setor planejar para sair da crise”, explicou.Segundo ela, todos os esforços que contribuam para deixar clara a situação difícil do setor serão úteis. “A Frente é apoiada por produtores, fornecedores de cana, prestadores de serviço, parceiros e trabalhadores, além dos prefeitos de inúmeros municípios, todos diretamente impactados pela situação,” afirmou.Para ela, talvez o aspecto que melhor reflita as dificuldades econômicas que o setor enfrenta, seja a ausência de investimentos em novas unidades produtivas.Segundo a presidente da Unica, conforme a entidade, o momento do setor é de receitas estagnadas em níveis abaixo dos observados dois anos atrás, com custos de produção crescendo nos últimos anos e com tendência de novas altas. Tudo isso está sendo agravado este ano pela ocorrência de geadas e, agora, de chuvas que paralisam a colheita e a moagem e aumentam ainda mais os custos de produção. “Chuvas em excesso paralisam todo o trabalho. O clima úmido reduz o índice de ATR (Açúcares Totais Recuperáveis), o que impacta o volume de produtos finais que se pode extrair da cana.”De acordo com informações da Unica, o diretor técnico da entidade, Antonio de Pádua Rodrigues, informou que as projeções apontam para uma safra 8% maior este ano, mas a quantidade de produtos obtidos da cana colhida deve ser menor em dois quilos por tonelada. “A produção de açúcar e etanol na atual safra deve crescer cerca de 6,5%, mas os custos de produção devem subir em média 10% por conta de dias parados devido à chuva, perdas por conta da geada e aumentos de custos de diversos insumos. Paradoxalmente, teremos uma safra maior e ao mesmo tempo deficitária,” explicou. 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