POLÊMICA

Projeto atrasado gera discussão na Câmara

Proposta legalizou repasse de verbas para Festa do Trabalhador, realizada no último dia 5; vereadores votaram contra em protesto

Guto Silveira
10/05/2013 às 07:00.
Atualizado em 25/04/2022 às 16:53

Um projeto que poderia ser aprovado desapercebidamente na sessão desta quinta-feira (9), na Câmara Municipal, acabou provocando discussão entre os vereadores da oposição e os da base da prefeita Dárcy Vera (PSD).

A proposta legalizou o repasse de R$ 50 mil para a Festa do Trabalhador, realizada no último domingo. Alguns vereadores votaram contra justamente em função de o projeto chegar após a realização da despesa.

O vereador Beto Cangussú (PT), que votou contra, foi o primeiro a justificar a atitude. Disse que sua negativa não teve relação com a festa ou com os sindicalistas que organizaram, mas em protesto pelo envio do projeto depois da festa.

“Meu voto é em protesto pelo desrespeito com essa Casa. Não somos funcionários da Prefeitura. Não é assim que os poderes se relacionam. Esta Casa não é homologatória e não estou aqui para ficar corrigindo erros desta Administração”, disse o petista.

O vereador Ricardo Silva (PDT) discursou no mesmo sentido, depois de votar contra. Sempre explicando ser a favor da festa e dos sindicalistas (alguns acompanharam a sessão), ele afirmou que o aspecto técnico o levou a votar contra, por estar aprovando verba para um evento que já aconteceu.

Já o também oposicionista Bertinho Scandiuzzi (PSDB) justificou seu voto contrário por considerar injusta a aprovação de um projeto para uma festa do trabalhador depois que a prefeita Dárcy Vera (PSD) vetou todas as emendas dos vereadores que destinavam verbas para entidades assistenciais.

Os recursos seriam distribuídos pelas emendas parlamentares dos vereadores (R$ 150 mil cada um), mas acabaram vetados. “Não se pode aprovar essa verba quando deixamos de ajudar várias creches por causa dos vetos às emendas dos vereadores”, disse o tucano.

DEFESA

Os governistas também foram à tribuna defender o projeto e o momento de votação. Walter Gomes (PR) foi um dos mais enfáticos, ao elogiar a festa e dizer que quando ela não existia, o trabalhador tinha que se contentar em ver pela televisão. Maurílio Romano (PP) disse que vários compromissos destes eventos são pagos após a realização e não viu problemas na aprovação.

O líder do governo na Câmara, Capela Novas (PPS), preferiu considerar o atraso no projeto a apenas um “erro formal”, sem qualquer ilegalidade. Bebé e Genivaldo Gomes (ambos do PSD) também disseram a respeito do pagamento de despesas após a realização do evento.

Já Samuel Zanferdini (PMDB) preferiu criticar os opositores, dizendo que “tem gente que procura pelo em ovo” e assegurou que nada havia de errado. “O trabalhador merece a festa. Vamos ver se para o próximo ano conseguiremos mais recursos”, disse.

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