JOSÉ ERNESTO

Quanto mais baixo melhor

17/08/2013 às 00:00.
Atualizado em 25/04/2022 às 05:16

Sabemos, e esse conhecimento foi construído nos últimos cinquenta anos, que os níveis elevados de colesterol no sangue aceleram a degeneração de nossas artérias, processo que chamamos de aterosclerose. A degeneração se caracteriza pelo deposito na parede artérias de material gorduroso, de células musculares e de material fibroso. Sua formação se inicia nos primeiros anos de vida e é acelerado com a presença dos fatores de risco, como o colesterol elevado já citado, mas também a pressão alta, o diabetes e o stress. Em nosso País registramos mais de 150.000 mortes/ano (cerca de 14% do total de mortes) provocadas pelo infarto.Uma pergunta chave na tentativa de evitar esses eventos dramáticos é: qual o nível sanguíneo seguro de colesterol? Como sempre em ciência a evolução dos conhecimentos é lenta porem baseada em fatos confiáveis e reprodutíveis. Na década de 90, com a introdução das estatinas, medicamentos seguros e potentes na redução do colesterol, foi proposto como meta para o tratamento o valor de 200 mg% para o colesterol total e 130 mg% para o LDL-colesterol (a fração de “mau colesterol”). Esses valores foram obtidos em estudos com mais de 90 0000 pacientes tratados por mais de seis anos. Verificamos que quando atingido os valores citados o risco de um evento cardiovascular era reduzido em mais de 24%. Nos últimos anos com o progresso da ciência obtivemos estatinas mais potentes para a redução do colesterol sanguíneo e com essas conseguimos alcançar com segurança níveis ainda mais baixos. Com esses estudos reduzimos os níveis do “mau colesterol” (LDLc) a valores de 70 mg% e para nossa surpresa o que se encontrou foram reduções ainda maiores do risco de um primeiro infarto, ou de novos infartos. Além disso, com exames de imagem aprendemos que com esses níveis de “mau colesterol” conseguimos regressão de placas de aterosclerose já formadas. Paralelamente, a inspiração de pesquisadores do Texas, liderados H. Hobbs (Universidade do Texas, USA) trouxe a nosso conhecimento uma população americana que tem naturalmente níveis de LDL menores que 70mg%. Essa população tem prevalência de infarto do miocárdio 60% menor que a população americana que vive na mesma região. O entendimento do mecanismo pelo qual essas pessoas têm níveis tão baixos de colesterol levou ao desenvolvimento de novos medicamentos que nos próximos anos poderão estar disponíveis aos que com as estatinas não conseguem atingir os níveis recomendados. Não podemos nos esquecer de que nascemos com níveis muito baixos de colesterol no sangue (em geral 40 ou 50 mg% de LDLc) e que o estilo de vida que adotamos; Dentre eles podemos identificar, entre outros, o excesso de gordura na alimentação e a baixa atividade física. Esses hábitos adquiridos pela sociedade moderna são responsáveis, juntamente com nossa genética, pela elevação dos níveis de colesterol no sangue. Os níveis de colesterol elevado, juntamente com os outros fatores de risco agridem nossas artérias que são os caminhos pelos quais circulam o oxigênio e os nutrientes para nossos órgãos.

Assuntos Relacionados
Compartilhar
Correio Popular© Copyright 2026Todos os direitos reservados.
Distribuído por
Publicado no
Desenvolvido por