Aprenda a fazer flan de queijo, versão ideal para acompanhar pratos sofisticados

Espaço Gourmet (Ciéte Silvério/ Especial para Metrópole)
É difícil dissociar criações gastronômicas entre gregos, romanos e egípcios. É uma tarefa improvável, dificultada por pouca literatura e raras pesquisas arqueológicas – muitas delas são sérias, mas sempre aparece uma surpresa para encucar os pesquisadores. A história do pudim (ou do flan) – ou do flan (ou do pudim) – é uma das que até hoje confundem historiadores e muitos dos chefs de plantão. Sua origem não está clara e não há conclusão exata. Tudo é polêmico. Foto: Ciéte Silvério/ Especial para Metrópole Vários anos antes de Cristo, os ovos eram ingredientes essenciais em várias receitas. Fenícios, egípcios, gregos e romanos os consideravam salutares. Eram tidos como símbolos da fertilização e, acreditavam eles, traziam benefícios para os rins e o fígado, além de eliminarem alguns aspectos do problema do trato urinário. Quando Roma domesticou as galinhas para que elas produzissem ovos em seus quintais, passou a consumi-los de diferentes formas, como fritos, assados, mexidos e cozidos. Os cozinheiros romanos não perderam mesmo tempo. Várias fórmulas foram assimiladas da sabedoria da arte grega de cozinhar. Uma delas foi fazer os ovos mesclados com leite, criando o que na época chamavam de tiropatinam. A receita não era nada mais do que ovos mexidos com leite e adoçados com mel, cozidos lentamente em recipientes de louça. No final, era adicionada à mistura uma farta camada de pimenta-do-reino preta. Na época, deveria ser bom. A pimenta vinha do Oriente e estava, digamos, na moda. Mas não era propriamente um flan, apesar de ter como base a combinação de leite e ovos que garantia sua cremosidade característica. O tiropatinam já havia sido mencionado no livro de receita romana de Apicius, cinco séculos antes de Cristo, e pelo poeta Fortunato, que viveu na mesma época, e aparecia em versões doces, com pescados, queijos, verduras, frutas e mel. Mesmo com a decadência do Império Romano, ele sobreviveu às invasões bárbaras e mouras escondido em algum mosteiro. Foi apenas no século 7 que ganhou o nome atual – o termo é originário do latim flado, que significa objeto plano, bolo chato. Na Idade Média, a receita se tornaria bastante popular na Quaresma, uma vez que era proibido o consumo de carnes. Foi na França e na Espanha do século 17 que uma versão de flado começou a ganhar as mesas como sobremesa. Ganhou o nome de flan (do francês antigo flaon) e hoje é chamado de crème caramel. Durante a colonização das Américas, os espanhóis criaram uma nova receita, o flan com calda de açúcar e aromatizado com baunilha, comum na região do México. O flan como a gente conhece aqui e acolá é uma sobremesa semelhante ao pudim, só que com menos ovos e adição de amido para dar liga. É sempre assado em banho maria e servido em formas individuais. Como leva amido, o flan é mais consistente e o pudim, mais suave. Mas flan não é só isso e jamais foi confinado a ser apenas uma sobremesa que, provavelmente, é a mais popular em todos os países do planeta. E vamos para a cozinha!FLAN DE QUEIJO(para 2 pessoas)_200ml de leite_30g de farinha de trigo_50g de manteiga sem sal_60g de parmesão ralado_40g de queijo de cabra curado_2 gemas_1 ovo_1 pitadinha de noz-moscada_Sal e pimenta a gostoPARA OS TOMATES_1 dente de alho machucado com a ponta da faca_40ml de azeite extra virgem_16 tomates tipo sweet grape_4 folhas de manjericão_1 pitada de orégano e 1 pitada de salEU FAÇO ASSIMComeço pelos tomates: aqueço uma frigideira com o azeite e com o alho. Assim que o alho fritar, retiro-o e descarto, preservando o azeite. Junto os tomates picados ao azeite e salteio em fogo médio por alguns minutos. Agrego o manjericão, o orégano e uma pitada de sal. Mexo bem e deixo no fogo baixo por dez minutos. Retiro e acomodo em uma vasilha de louça. Ao flan: escolho uma panela de fundo grosso e nela coloco a manteiga, a farinha e o leite. Misturo bem em fogo baixo até tudo virar um creme. Retiro do fogo, junto os queijos, as gemas e o ovo. Tempero com sal e pimenta e mexo bem com um chicote, para que agregue. Coloco o creme em forminhas untadas e enfarinhadas e levo para assar em banho maria em forno preaquecido a 160ºC por 30 minutos. Vale o teste do palito de dente: espete um no flan e, se sair seco, está pronto. Espero esfriar e sirvo o flan sobre os tomates confitados.Veja só: quem é que disse que flan precisa ser apenas doce? Há inúmeras receitas que servem como acompanhamento de pratos sofisticados, como o de agrião: 50g de agrião, 2 ovos, 120g de creme de leite, 30g de farinha, 2 colheres (sopa) de cebola batidinha, 2 colheres (sopa) de azeite, alho, pimenta-do-reino e noz-moscada. Doure no azeite a cebola e o alho (sem queimar), acrescente o agrião, mexa rapidamente durante três minutos. Leve ao liquidificador, adicione os ovos, a farinha e o creme de leite e bata. Coloque em formas individuais e leve para assar em banho maria em forno preaquecido a 180°C por 25 minutos.