RUBENS MORELLI

Quem você demite?

Rubens Morelli
09/05/2013 às 20:32.
Atualizado em 25/04/2022 às 16:54

Tem gente que distorce qualquer coisa para garantir uma manchete. Ou vantagem. Ou motivação. E o que vale para um não é o mesmo que vale para outro. Nem para quem lê, ou escuta, nem para quem é beneficiado.

Pois o que Ronaldinho Gaúcho falou naquele jogo do Morumbi, em que o São Paulo tirou a invencibilidade do Atlético-MG, nada mais foi que uma simples análise lógica. Para o Tricolor, aquele era o jogo da vida, enquanto o Galo apenas cumpria tabela, classificado que estava com sobras. Mas durante todo o tempo, jornalistas com graves problemas de interpretação repetiam exaustivamente que o dentuço teria tirado sarro dos são-paulinos, por jogar “em ritmo de treino”. Mesmo se fosse, e daí?

No duelo de quarta-feira, também me pareceu treino, pois só um time estava jogando. Após o confronto, que confirmou o previsto, Ronaldinho voltou aos microfones e, mais uma vez, foi questionado sobre a suposta polêmica. A resposta, como não poderia deixar de ser, foi bem dada: “Quando está valendo, está valendo”.

E como valeu ver um time com tanta vontade de ganhar um jogo. Mesmo com o placar elástico, os atleticanos avançavam na bola como crianças em carrinho de sorvete em dia de Verão. Bem diferente da atitude tricolor, sem reação diante de uma locomotiva daquelas que passam por cima primeiro e apitam depois. Nem com muita fé!

Wellington, o volante fanfarrão, incumbido da marcação a Ronaldinho, disse só nesta quinta-feira que fazer graça com o time ganhando é fácil. Uma afirmação curiosa de quem, um dia antes, com 4 a 1 contra no placar, caiu no chão em simulação por uma suposta agressão do próprio camisa 10 atleticano: dedo no ouvido! E depois tem a cara de pau de falar em fazer graça. Podia ter ficado quieto, procurando a bola que não encontrou no Independência.

Obviamente a culpa pela eliminação não foi do Wellington, que não parou Ronaldinho. Ele divide a culpa com Lúcio, expulso no primeiro jogo de forma infantil, quando o São Paulo era melhor. Que também divide a culpa com Luis Fabiano, ausente de quatro jogos pela expulsão mais infantil ainda, com o jogo acabado na primeira fase, que contribuiu para a péssima classificação para o mata-mata. Ademilson, que perdeu gols feitos nos minutos em que esteve em campo no Morumbi, Juvenal Juvêncio, com a soberba que lhe é peculiar, e todos os outros têm suas parcelas de culpa. Mas deve sobrar para Ney Franco, com suas escalações duvidosas e substituições esquisitas, pegar o boné.

E enquanto discutimos se ele vai para a rua ou não, vemos o consórcio de Eike Batista assumir a gestão do Maracanã, como esperado. E quem se importa? Dá pra demitir o técnico dessa licitação? Ou a técnica?

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