SÉTIMA ARTE

'Samba' é destaque do Festival Varilux de Cinema Francês em Campinas

A comédia romântica de Eric Toledano e Olivier Nakache, mesmos diretores de 'Intocáveis' (2012), vieram ao Rio de Janeiro na semana passada para o lançamento do filme

Marita Siqueira
16/06/2015 às 05:00.
Atualizado em 23/04/2022 às 10:36
Omar Sy como o imigrante africano Samba no filme homônimo, que é exibido em Campinas no Festival Varilux (  Divulgação)

Omar Sy como o imigrante africano Samba no filme homônimo, que é exibido em Campinas no Festival Varilux ( Divulgação)

A comédia dramática 'Samba', dos diretores Eric Toledano e Olivier Nakache, será exibida nesta terça-feira (16) em Campinas dentro do Festival Varilux de Cinema Francês, no Cineflix Galleria. A dupla Toledano e Nakache, a mesma de 'Intocáveis' (2012), e o ator Tahar Rahim, que vive um falso brasileiro na trama, vieram ao Rio de Janeiro na semana passada para o lançamento do filme — a capital fluminense recebeu a abertura do festival, que ocorre simultaneamente em 50 cidades brasileiras até amanhã.Apesar do título, o longa nada tem a ver com a música ou a dança genuinamente tupiniquins. Trata-se do nome de protagonista, um imigrante senegalês que vive ilegalmente em Paris há dez anos, interpretado pelo Omar Sy, também no elenco de Intocáveis. “Queríamos falar dessa questão dos imigrantes sem documentos e voltar a trabalhar com Omar Sy”, afirmou Toledano em entrevista ao Caderno C.“É um assunto que está em alta na sociedade francesa. Você abre o jornal e lê algo com relação a isso, dos imigrantes que chegam da Líbia, da África em geral. Usamos o filme como uma responsabilidade de contar ao mundo o que está acontecendo na França e em outros países da Europa”, completou NakacheSegundo ele, para esse papel foi fundamental a presença de Sy, um dos atores mais requisitados do país. “Queríamos escolher um ator importante, conhecido e requisitado na França para fazer o personagem Samba, um homem comum e ignorado, mas que está nas ruas. Ou seja, alguém conhecido fazendo o papel de alguém invisível. A imigração é uma coisa velada na França”, afirma, lembrando que nos atentados terroristas ao semanário Charlie Hebdo e a um mercado judaico em Paris, em janeiro passado, um dos “heróis” foi um imigrante ilegal. “Foi um choque saber que eram franceses atentando contra seus compatriotas e interessante saber que foi o imigrante no supermercado que salvou algumas pessoas. Assim como Samba, ele trabalhava, pagava imposto e não tinha o papel oficial. Depois disso ele, foi recompensado ganhando a nacionalidade”, diz Toledano.O roteiro foi baseado no livro homônimo, de Delphine Coulin, que retrata a história do imigrante que luta para se legalizar no país e, entanto isso, faz bicos para sobreviver. Nesse contexto, ele encontra Alice, vivida por Charlotte Gainsbourg (de Ninfomaníaca e Melancolia), que busca reestabelecer sua saúde mental por meio de trabalhos em organização voltada ao atendimento de imigrantes. Eles se envolvem emocionalmente, protagonizando um romance divertido e carregado de dilemas pessoais. Nesse meio-tempo, entre um trabalho e outro, Samba conhece Wilson (Tahar Rahim), que está na mesma situação, mas leva a vida com certa fluidez. Se faz de brasileiro e encanta a todos pela espontaneidade. Na verdade, a inserção do Brasil na trama foi uma adequação à obra literária, pois nela o personagem é colombiano, revelam os diretores. “Queríamos dar um toque mais quente, acalorado ao personagem. Se fizéssemos um colombiano, como no livro, não teria o mesmo impacto quanto o brasileiro, com o samba, a música, o gingado que é conhecido na Europa”, afirma Nakache. [INTERTITULO]Pseudobrasileiro [/INTERTITULO]O personagem “sobrou” para Tahar Rahim (de O Príncipe do Deserto e O Passado), que até aula de samba fez a fim de aprender um pouco do jeitinho brasileiro. “Mas, por favor, paciência. Não foi perfeito, ainda preciso treinar muito”, disse o ator à reportagem. Ele conta que conheceu um brasileiro radicado há oito anos em Paris que lhe foi muito útil na construção do personagem, assim como o coaching (preparação de elenco), porém ressalta a importância dos diretores para o bom enquadramento do papel. “Acima de tudo, os méritos desse personagem são dos roteiristas. Antes foi feito um grande trabalho de escrita”, afirmou. Filho de imigrantes argelinos, Rahim reflete sobre o questão abordada no longa. “Eu nasci na França. Não sofri preconceitos, mas sou filho de não franceses e para eles foi difícil, assim como é para muitos imigrantes que moram lá. Não deveria ser assim.”E Wilson traz referências, evidentemente, ao povo e à cultura brasileiros. A simpatia e a alegria são características de cenas embaladas por Take It Easy My Brother Charles (Jorge Ben Jor) e Palco (Gilberto Gil). Essas canções foram minuciosamente escolhidas pelos diretores. “Somos fãs da música brasileira”, disse Toledano, citando compositores da MPB como Gilberto Gil, Chico Buarque, João Gilberto e Sérgio Mendes. [INTERTITULO]Parceria[/INTERTITULO]Toledano e Nakache trabalham juntos há 20 anos, acumulando três longas-metragens e mais de cem peças publicitárias. Eles se encontraram em uma colônia de férias na França e construíram uma amizade e depois rendeu a parceria profissional. A sintonia é visível, bem como o humor e a simpatia que lhe são atribuídos. “Queremos que as pessoas riam. O sorriso é o caminho mais curto entre os homens. Mas sempre vamos falar da sociedade e dos problemas”, contou Nakache. Assim fez-se o sucesso de Intocáveis, visto por 20 milhões de pessoas na França e que rendeu o prêmio César de melhor ator para Omar Sy. E a nova aposta, Samba, atingiu o bom número de 3 milhões de espectadores na estreia nacional. SAIBA MAIS{SUMMARY}Samba será exibido hoje, às 15h20, na sala 3 do Cineflix, no Galleria Shopping (Rodovia D. Pedro I, Km 131,5, Campinas, fone: 4003-7053). Ingressos: R$ 16 A REPÓRTER VIAJOU A CONVITE DO FESTIVAL VARILUX  

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