Recurso virão do governo e serão usados no abastecimento, coleta e tratamento de esgoto

Verba será usada em troca da rede para redução de perdas de água ( Divulgação)
!DOCTYPE html> A Sociedade de Abastecimento de Água e Saneamento (Sanasa), responsável pelo saneamento básico em Campinas (SP), corre para concluir projetos no valor de R$ 700 milhões para disputar recursos do programa federal Saneamento para Todos, que ficarão facilitados a partir de uma instrução normativa publicada pelo Ministério da Cidade no final de maio. Essa instrução abre possibilidade de apresentação de projetos a qualquer tempo, sem necessidade de esperar chamamento público, e permite que os tomadores do financiamento deem como garantia duplicatas mercantis atreladas aos recebíveis das empresas. Os projetos, informou o prefeito Jonas Donizette (PSB), serão encaminhados na próxima semana.Do total dos recursos pleiteados, afirmou o presidente da Sanasa, Arly de Lara Romêo, R$ 350 milhões serão destinados à universalização do saneamento básico em toda Campinas, incluindo abastecimento de água, coleta e afastamento de esgoto, e tratamento de efluentes. Esse projeto tem custo total de mais de R$ 500 milhões, mas a empresa já viabilizou obras no valor de R$ 169,6 milhões e tem obras com financiamentos contratados que somam R$ 146,3 milhões. A empresa está em fase de viabilização de outros R$ 350 milhões para atingir a meta de universalizar o saneamento até 2017.Campinas trata atualmente 64% do esgoto coletado e até 2016, por força de um acordo com o Ministério Público (MP), terá capacidade instalada para tratar a totalidade. Mas o tratamento de 100% só ocorrerá em 2018 porque ainda será necessário ampliar a rede de coleta, que hoje atende 90% da cidade. O prefeito Jonas assinou, em maio, convênio com a Caixa Econômica Federal (CEF) para obter recursos para a construção da Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) Boa Vista. Para esse projeto, o município conta com R$ 38,1 milhões do governo do Estado, como parte do Programa Estadual de Apoio à Recuperação das Águas (Reágua). O serviço vai atender 16 bairros, 20 núcleos residenciais, dez indústrias e beneficiar mais de 78 mil habitantes. A obra deve ser executada em dois anos e, quando estiver concluída, o município terá 100% do esgoto tratado, universalizando o saneamento básico. A ETE Boa Vista será construída ao lado da Companhia de Desenvolvimento do Polo de Alta Tecnologia de Campinas (Ciatec), terá uma vazão média de 240 litros por segundo e despoluirá o Córrego Boa Vista, que lança o esgoto no Ribeirão Quilombo e segue para o Rio Piracicaba. O valor total de implantação da obra é de R$ 48,4 milhões. Com os recursos do governo do Estado, a Sanasa custeará os R$ 12,7 milhões restantes.Outro recurso que a empresa está buscando, de R$ 250 milhões, será destinado à troca de rede de água para que as perdas, hoje em 19,02%, caiam para 15%. Atualmente, a Sanasa troca 70 quilômetros de rede por ano e quer dobrar a extensão para que, em sete anos, os mil quilômetros de redes antigas ainda existentes na cidade sejam substituídos.O controle de perdas, disse o presidente da empresa, significa tirar menos água dos rios e, consequentemente, adiar investimentos em toda a bacia na ampliação dos sistemas de produção, adução e reservação de água. Nos últimos anos, a empresa vem trocando redes de cimento amianto, PVC e ferro fundido por polietileno de alta densidade (PAD), que é um material plástico mais maleável e soldado. Com esse material as perdas físicas são eliminadas.O programa federal Saneamento para Todos é vantajoso, segundo o diretor financeiro e de relações com investidores da Sanasa, Pedro Cláudio da Silva, em relação às condições de financiamento. A contrapartida mínima do setor público a esse tipo de contrato, é de 5% do valor do investimento, exceto na modalidade Abastecimento de Água.