Um dos pontos frágeis da ação do Estado é o setor de segurança pública, onde os investimentos e os recursos atualmente disponíveis não são suficientes para a garantia da sociedade contra a violência e o crime. Pelo contrário, a vulnerabilidade das pessoas é patente diante do aumento das estatísticas oficiais e o que se vê são ações paliativas que estão longe de corresponder à real necessidade de segurança.A Região Metropolitana de Campinas (RMC) tem pleiteado junto ao governo do Estado uma atenção especial, devida pela extensão e importância dos 19 municípios. Na semana passada, o próprio governador Geraldo Alckmin anunciou a abertura da 2 Seccional de Polícia em Campinas, como parte de um plano de estender a cobertura de atendimento local, e a consecução do plano de terceiração dos atendimentos pela linha 190, que visa liberar policiais para as ruas (Correio Popular, 3/9, A4).Depois de falhar no compromisso de instalar em Campinas um gabinete especial para tratar das providências contra a escalada da violência na região, a secretaria de Segurança vem divulgar medidas que não atingem o cerne do problema, mas produzem convenientes argumentos eleitorais. Da mesma forma foi com a proposta de fechamento de distritos policiais e a centralização no atendimento, prejudicando a população, equacionando a falta de policiais, que é o verdadeiro problema a ser enfrentado.A questão da terceirização do serviço de atendimento de emergência na Polícia Militar é polêmica. Espera-se que, do outro lado da linha, sempre esteja um profissional qualificado para resolver situações críticas, prestar informações, acionar as forças policiais de maneira lógica e eficaz. Para tanto, é preciso que esteja subordinado a um comando unificado. O argumento de que policial militar deve estar nas ruas não passa de falácia. Há funções dentro da corporação que fazem parte de um programa óbvio, e nem todas estão no patrulhamento ou na presença física em ocorrências. Todo o setor de comunicação, administração e logística têm razão de ser e não dispensam bons policiais.A questão maior não é deslocar contingente para as ruas, simplesmente, mas ter uma corporação cada vez mais qualificada, em número compatível com a população atingida. E a terceirização, em essência, se presta a reduzir custos com a disponibilização de mão de obra mais barata e que não gera encargos para o Estado. Isso é o verdadeiro desvio de função que deve ser observado.