Eles aliciavam moradores de rua para venderem pedras no entorno do Terminal Central e da Estação Cultura

Os investigadores encontraram a arma falsa e também duas balanças digitais, 116 porções de crack e um Citroën preto; os dois foram presos na casa onde moram, na Vila Prost de Souza (Polícia Civil)
A Polícia Civil prendeu um casal apontado em investigações como responsável por aliciar moradores em situação de rua para vender ‘pedras’ de crack no entorno do Terminal Central de ônibus urbano e da Estação Cultura, no Centro, em Campinas. Segundo os policiais da 2.ª Delegacia de Investigações Sobre Entorpecentes (Dise), o homem de 29 anos e a esposa dele, de 27, estavam sempre armados com um fuzil que foi usado para expulsar traficantes rivais que tentavam vender drogas naquele setor da cidade. O casal também intimidava com ameaças de morte e tortura dependentes químicos que ficavam devendo nos pontos de venda. Ao prender os dois, a Polícia descobriu que a arma era falsa, ou seja, apesar de ter formato, tamanho e até o mesmo peso do fuzil, não tinha poder de fogo; era um brinquedo.
Os dois foram presos na casa onde moram, na Vila Prost de Souza, por força de um mandado expedido pela Vara Regional das Garantias da 4.ª Região – Campinas. Os investigadores encontraram a arma falsa e também duas balanças digitais, 116 porções de crack e um Citroën preto. Devido ao encontro das drogas, os dois foram autuados em flagrante por tráfico de drogas e associação para o tráfico.
“Conforme apurado preliminarmente no curso das investigações, o objeto que se assemelha a um fuzil era utilizado para intimidar traficantes rivais atuantes na região central da cidade, bem como para constranger usuários e indivíduos cooptados para a distribuição das drogas, especialmente aqueles que se recusavam a colaborar ou deixavam de repassar integralmente os valores provenientes da comercialização dos entorpecentes”, informou o delegado Sandro Jhonasson, da 2.ª Dise.
As investigações que identificaram o esquema liderado pelo casal duraram 30 dias. Os policiais registraram imagens do casal abastecendo os pontos de venda e entregando drogas para os vendedores chamados de ‘microtraficantes’, porque comercializam pequenas quantidades. Os investigadores chegaram a fazer observações veladas e a se passar por interessados em comprar drogas, com o objetivo de obter informações.
“Nesse período de monitoramento e acompanhamento velado, foram constatadas intensas atividades típicas da traficância, especialmente relacionadas ao abastecimento, armazenamento e comercialização naquela área do Centro da Cidade. Esse homem investigado exercia posição de destaque e liderança no esquema criminoso”, disse o delegado.
Conforme foi apurado, o casal comercializava somente crack. O entorpecente era guardado na residência e, durante períodos diferentes do dia, os dois a bordo do Citroën abasteciam as “biqueiras” e arrecadavam o dinheiro proveniente das vendas. Por isso, na residência, os policiais acharam crack, tanto a granel quanto em porções já embaladas para venda, instrumentos como as balanças e grande quantidade de embalagens plásticas destinadas ao acondicionamento da droga. Os 12 aparelhos de celular, segundo os investigadores, foram deixados por usuários como forma de pagamento parcial ou garantia de dívidas contraídas.
“As diligências prosseguem com o objetivo de identificar, qualificar e responsabilizar criminalmente outros indivíduos eventualmente vinculados à organização criminosa e à cadeia de distribuição de entorpecentes atuante na região central de Campinas, não sendo descartada a adoção de novas medidas, inclusive outras prisões, no decorrer das investigações”, afirmou o delegado responsável.
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