OPERAÇÃO INSIDER

Polícia Federal desvenda fraude que causou prejuízo de R$ 2 milhões na Caixa

Funcionária terceirizada de agência de Campinas foi identificada como principal peça da organização criminosa

Bargas Filho/bargas.filho@rac.com.br
27/05/2026 às 17:48.
Atualizado em 27/05/2026 às 17:48

Grupo criminoso promovia o cancelamento do cartão do titular da conta e, em seguida, emitia segunda via sem conhecimento do correntista (Kama Ribeiro)

Uma mulher de 21 anos, funcionária terceirizada de uma agência da Caixa Econômica Federal (CEF) no Centro de Campinas, foi identificada pela Polícia Federal (PF) como a principal peça de uma organização criminosa que invadiu 30 contas, clonou cartões, fez empréstimos, compras e saques, causando um prejuízo estimado em R$ 2 milhões. “O grupo criminoso promovia o cancelamento dos cartões dos titulares das contas e, em seguida, emitia segundas vias sem conhecimento do correntista. Com apoio dessa colaboradora terceirizada da instituição financeira, os cartões eram desbloqueados e utilizados para movimentações fraudulentas”, explicou o delegado Davi de Oliveira Rios, executivo da Delegacia da PF de Campinas. 

A mulher não está presa, porém, é investigada e já foi demitida. Segundo a PF, ela trabalhava no atendimento ao público na agência da Avenida Francisco Glicério e tinha acesso a todo o sistema dentro do banco. “Identificamos a existência de quatro núcleos em regiões diferentes do estado. Todos convergiam para essa pessoa que fazia o desbloqueio dos cartões que eram usados para as fraudes”, disse o delegado. Segundo as investigações, uma das vítimas teve um prejuízo de R$ 250 mil. “Os alvos eram pessoas que tinham pequenos ou grandes valores depositados. Foram relatados desvios de R$ 10 mil, R$ 15 mil”, comentou o delegado. 

Com base em investigações que começaram em dezembro do ano passado quando as vítimas começaram a procurar suas agências e relatar desvios indevidos. A CEF então relatou à Delegacia da PF em Campinas como funcionava o esquema. As investigações identificaram os suspeitos de integraram esses quatro núcleos. 

Com essas informações, os federais realizaram, ontem (26), a Operação Insider (Interno) e cumpriam nove mandados de busca e apreensão em endereços de Campinas (na casa da mulher considerada a principal articuladora do esquema), na Capital paulista, Franco da Rocha e Santo André. A ordem para as buscas foi expedida pela 9.ª Vara Federal de Campinas. Foram apreendidos celulares, computadores e pelo menos dois carros que teriam sido comprados com o dinheiro desviado das contas invadidas pela quadrilha. A Justiça ainda determinou o bloqueio de bens das pessoas identificadas como integrantes da quadrilha. 

A PF anunciou que vai ampliar as investigações a partir do material apreendido durante a operação. Os policiais querem saber, por exemplo, se mais funcionários que trabalham em outras agências também foram aliciados pelas quadrilha. O objetivo é apurar, também, quanto a excolaboradora recebia para realizar o desbloqueio. “Vamos buscas saber, também, como os correntistas que se tornaram vítimas escolhidos pelo grupo”, informou o delegado executivo da PF em Campinas. 

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