CARLO CARCANI

Silêncio barulhento

Carlo Carcani
20/08/2013 às 14:30.
Atualizado em 25/04/2022 às 04:53

Paulo César Carpegiani cometeu um erro tolo ao não conceder entrevistas após as derrotas da Ponte Preta para Vitória e Goiás. Se não quer dar entrevistas (um direito que ele tem, mas, por motivos óbvios, não deve exercer), que também fique em silêncio nas vitórias. "Se destacar um ou outro jogador, estarei sendo injusto. Fizemos um primeiro tempo muito bom, criamos oportunidades, mas tivemos uma produção normal e esperada de todos os jogadores. Imprimimos o nosso ritmo", disse Carpegiani após a vitória por 3 a 1 sobre o Criciúma, no dia 11 de agosto.Todos sabemos que nas duas últimas rodadas do Brasileirão, a Ponte não imprimiu o seu ritmo e não teve uma produção normal e esperada de todos. A derrota em Salvador foi até compreensível, mas perder um jogo de seis pontos em casa foi muito ruim.Nada disso, porém, justifica a postura do treinador, que deve, sim, dar sua mensagem para a torcida depois de cada jogo, seja ele bom ou ruim. Na segunda-feira, o treinador disse que não suporta perder (o que é ótimo) e que não deu entrevista no domingo porque ficou muito irritado com uma discussão no Majestoso.A justificativa teria mais força se o treinador tivesse o hábito de dar entrevistas após as partidas, mas no jogo anterior, sem nenhuma discussão, ele também optou por não falar. Além disso, treinadores do mundo todo, dos astros aos iniciantes, dos campeões aos rebaixados, dos ovacionados aos chamados de burro, estão mais do que acostumados a falar após as partidas.Também estão mais do que acostumados a falar apenas o que for conveniente. Por isso, por mais irritado que estivesse, Carpegiani não deveria deixar de falar à torcida da Ponte. Bastaria se controlar para falar apenas o trivial, como ele e seus colegas de profissão já fizeram inúmeras vezes. O silêncio, porém, teve um impacto muito maior.Impacto tão grande que forçou o treinador a apresentar uma justificativa que também não colaborou em nada para melhorar o ambiente no clube. Ele ficou irritado com quem? Por que ficou sem condições de dar entrevista? Pensou em sair? Está contrariado com alguma coisa na Ponte?O desgaste é inevitável e cabe à Ponte e ao treinador evitar que isso cause danos maiores ao time. A situação da Ponte não é desesperadora. Sua luta será para se manter na divisão de elite, mas essa também será a preocupação de outros tantos clubes. A disputa é muito equilibrada e a Ponte precisa lutar por cada ponto como se ele fosse decisivo.Não falar após uma derrota, entre outras coisas, demonstra uma falta de confiança do comandante em seu elenco. São nos momentos difíceis que os jogadores precisam de um líder com o currículo, a experiência e a competência de Carpegiani. Ao se calar, passa para a torcida a impressão de que o time não tem jeito e que o fracasso será inevitável. Não é por aí.

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