MAURÍCIO FALLEIROS

Sinal dos tempos

29/07/2013 às 00:00.
Atualizado em 25/04/2022 às 07:27

Otoniel, o funcionário encarregado de manobrar os carros em frente ao restaurante e chamar táxi para os clientes a pé, parou ao lado de uma moça linda que acabara de sair do estabelecimento e perguntou, com um ar patife:– Quer um táxi?– Não, obrigada.– E um namorado?Ele já estava pronto para levar um tapa ou um xingamento, ou os dois, quando acabou levando foi um susto: a moça disse “sim, eu quero”. Aquilo desmontou o personagem. O Otoniel, surpreso, continuou:– Você... Você disse que quer um namorado?– Disse. Você não perguntou se eu queria um?– Perguntei, mas...– Então. Eu quero.– Mas... Mas uma moça toda assim, ã... Cheia de atributos... Está sem namorado?– Há meses, hoje está mais fácil ficar milionária do que arranjar um namorado. E estou chegando naquela idade perigosa, de ficar para titia. Por isso, estou aceitando currículos, indicações... Você conhece alguém?– Para o seu perfil, não.– Que perfil?! De desesperada?– Não, de pessoa bem de vida e...– E quem disse que eu ligo para isso? Não quero saber de dinheiro, status, sobrenome, nada. Nem para beleza eu ando dando muita bola. Topo até cantada cafona, só não tolero ser a outra! Aliás, você é casado, tem namorada?– Não, não. Sou solteiro.– E você vai ficar até mais tarde aqui no restaurante?– Não... Já estou de saída.– E você está de carro?– Não, estou a pé.– Ótimo! Então busca lá o meu, me pega aqui na frente e vamos para a minha casa. A chave é aquela com o chaveiro vermelho.

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